quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

MECENAS DO RENASCIMENTO: MÉDICIS

Mecenas
Quem foram
Os mecenas eram ricos e poderosos comerciantes, príncipes, condes, bispos e banqueiros que financiavam e investiam na produção de arte como maneira de obter reconhecimento e prestígio na sociedade.Eles foram de extrema importância para o desenvolvimento das artes plásticas (escultura e pintura), literatura e arquitetura durante o período do Renascimento Cultural (séculos XV e XVI).A burguesia, classe social que enriqueceu muito com o renascimento comercial, viu na prática do mecenato uma forma rápida de alcançar o status de nobreza. Isso era obtido também com a compra dos títulos de nobreza.
O ato de patrocinar e investir em arte e a cultura é conhecido como mecenato.
Principais mecenas da época do Renascimento Cultural:
- Lourenço de Medici (banqueiro italiano)
- Come de Medici (banqueiro e político italiano)
- Galeazzo Maria Sforza (duque de Milão)
- Francisco I (rei da França)
Curiosidade:
- A palavra "mecenas" tem sua origem na Roma Antiga. No século I a.C, Caio Mecenas foi um conselheiro do imperador romano Otávio Augusto. Caio Mecenas patrocinou a produção de vários artistas e poetas nesta época.

Médicis
Família italiana da alta burguesia florentina, os Médicis governaram a sua cidade e mais tarde toda a Toscana durante praticamente três séculos.
Os Papas Leão X, Clemente VII, Pio IV e Leão XI provêm todos desta família.
Lourenço "o Magnífico" (1469-1492) reuniu uma corte de poetas e artistas, assumindo o ideal do homem do Renascimento.
Catarina e Maria de Médicis foram rainhas de França.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

PINTURA: GRÃO VASCO

Vasco Fernandes (Grão Vasco)
Principal vulto da pintura portuguesa do século XVI, Vasco Fernandes teria nascido em Viseu por volta de 1480.
Entre 1506 e 1511 executou o retábulo da Sé de Lamego, inspirado pela escola flamenga. A este período pertenceria também O S. Tiago e duas tábuas de Besteiros.
Trabalhou na oficina de Jorge Afonso, em Lisboa, em 1514. Cerca de 1520 realizou o retábulo da igreja matriz de Freixo de Espada-à-Cinta, que representa uma obra de transição para a arte mais pessoal dos Pentecostes de Coimbra e dos retábulos da Sé de Viseu: S. Sebastião, O Batismo de Cristo, O Pentecostes, O Calvário e S. Pedro. Neste trabalho está presente a influência renascentista, mas também o dramatismo e o poder criador característicos de Grão Vasco.
 São-lhe ainda atribuídas outras pinturas: Santa Luzia (Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto), A Ceia (Museu Grão Vasco em Viseu), A Assunção da Virgem (Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa).

PINTURA: JAN VAN EYCK

Jan Van Eyck
O homem do turbante vermelho;
possível auto-retrato de Jan van Eyck
Jan Van Eyck nasceu em Maaseik, posteriormente território belga, por volta de 1385, e faleceu em 1441, em Bruges. Trabalhou na Holanda e em Lille, mas é da estadia em Bruges que restaram as obras mais impressionantes.
O Retábulo do Cordeiro Místico terá sido iniciado pelo seu irmão Hubert e terminado por Jan em 1432.
O pintor utilizava a nova técnica do óleo com grande requinte, de tal modo que certos efeitos não voltaram a ser igualados. O retábulo possui um total de vinte quadros.
As figuras de Adão e Eva são as mais audaciosas do conjunto. De um realismo pesado, Van Eyck evoluiu para um estilo mais subtil e delicado, em que a luz assume uma qualidade especial.
 Os retratos possuem uma minúcia técnica e uma perfeição de acabamento que não esconde a personalidade dos modelos.
Em O Homem do Turbante Vermelho (1433), possivelmente um autorretrato, a serenidade da pintura reflete um certo ideal de personalidade.
Uma das maiores obras-primas da época é O Casamento dos Arnolfini (1434). Esta cena tem subjacente um simbolismo que exprime a natureza do matrimónio enquanto sacramento religioso.
O mundo material e o mundo espiritual integram assim o mesmo espaço, formando um só. A influência de Van Eyck fez-se sentir principalmente na pintura dos países do Norte da Europa.

PINTURA: PIERO DELLA FRANCESCA

Piero della Francesca
Piero della Francesca
1416?-1492..
A obra do pintor Piero della Francesca, representante do Quattrocento italiano, permaneceu no esquecimento até que em princípios do século XX foi considerada pelos estudiosos uma importante expressão da arte renascentista italiana.
Piero Franceschi, que depois adotou o nome de Piero della Francesca, nasceu em Borgo San Sepolcro, Itália, entre 1410 e 1420.
Em 1439 viveu em Florença, onde foi aluno de Domenico Veneziano. Em 1442 tornou-se conselheiro municipal de Borgo San Sepulcro, onde executou seu primeiro trabalho, para a confraria da Misericórdia.
Após entrar em contato com a corte do duque de Urbino, iniciou, em 1452, os afrescos da igreja de San Francisco, em Arezzo, nos quais trabalhou durante sete anos. Nessa obra monumental, conhecida como "A lenda da cruz verdadeira", a arte do autor já se revela em sua plenitude e maturidade.
Em 1459, Piero esteve em Roma a serviço do papa Pio II. Viveu, depois, entre Arezzo e Urbino, até que retornou, já velho e cego, à cidade natal.
Embora represente o Quattrocento italiano, Piero della Francesca contradiz alguns de seus aspectos por não adotar os elementos medievais encontrados em Paolo Ucello, nem o realismo dramático de Masaccio.
O pintor destacou-se também como teórico da arte. Além de revolucionar quanto aos princípios estéticos, realizou investigações técnicas sobre questões pictóricas, geométricas e arquitetônicas. Dos tratados que escreveu, conservam-se apenas dois, sobre perspectiva e geometria.
Suas obras pictóricas incluem "Anunciação", "Ressurreição", "São Jerônimo", "Madona do Parto" e "Natividade".
Piero della Francesca morreu em Borgo San Sepolcro em 12 de outubro de 1492.

PINTURA: MASACCIO

Masaccio
Masaccio. Autorretrato
Importante pintor florentino dos inícios do Renascimento, de seu verdadeiro nome Tommaso di ser Giovanni di Mone Cassai, nascido em 1401 e falecido em 1428.
Transcendendo as convenções góticas, desenvolveu uma linguagem pictórica nova, menos abstrata mas em todo o caso dedicada a temas religiosos.
Fez alguns trabalhos em colaboração com Masolino e Filippino Lippi.

PINTURA: GIOTTO

Giotto
Giotto.
Retrato anônimo,
Museu do Louvre
Precursor da arte renascentista, Giotto di Bondone nasceu numa localidade próxima de Florença, possivelmente em 1267. Teria sido discípulo de Cimabue, em Assis, tendo trabalhado nessa época em frescos da Igreja Superior de S. Francisco.
Nesse caso teria recebido a influência de Pietro Cavallini.
O superior franciscano da Igreja encomendou-lhe ainda A Lenda de S. Francisco.
 Afastando-se da tradição da arte greco-bizantina, utilizou a noção de volume em três dimensões e, dotado de um sentido da narrativa muito próprio, concebeu os frescos sobre a vida de S. Francisco como pequenas histórias em que os pormenores realistas adquirem profundo significado e expressividade.
Em 1300, Giotto era já considerado um mestre.
Na capela de Arena, em Pádua, executou os frescos sobre a vida de Maria e de Cristo.
A Apresentação no Templo, A Ressurreição de Lázaro, O Beijo de Judas, apresentam uma unidade dramática capaz de traduzir uma intensa expressão psicológica.
Aplicou ainda a noção de perspetiva às personagens, sendo as do primeiro plano logicamente maiores do que as do segundo plano, e enriqueceu a sua paleta com cores mais vibrantes.
Nos anos seguintes trabalhou em várias cidades e em Florença dirigiu os trabalhos de construção da catedral. De 1320 a 1335 pintou as famosas cenas da vida de S. Francisco na capela Bardi, em S. Croce e mais tarde as de S. João Batista e de S. João Evangelista na capela Peruzzi.
 Faleceu em 1337, rico e respeitado, depois de ter formado artistas excecionais e de ter assegurado o aperfeiçoamento de uma arte renascentista humanista.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

REFORMA E CONTRA-REFORMA

REFORMADORES
Martinho Lutero
Lutero em 1529
por Lucas Cranach

Pregador, erudito bíblico e linguista alemão, nascido em 1483 e falecido em 1546, as suas 95 teses (em latim) constituíram um ataque aos vários abusos da Igreja Católica Romana (remissão e punição dos pecados) e precipitaram a Reforma Protestante.
Quando foram traduzidas para alemão, provocaram imediatamente um debate alargado. Levou à Reforma da doutrina medieval e ao crescimento das igrejas protestantes.
 O Luteranismo é hoje a religião mais praticada em países como a Alemanha, a Suécia e a Dinamarca.






JOÃO CALVINO
João Calvino
Teólogo francês, nascido em 1509 e falecido em 1564, que foi um dos mais importantes reformadores protestantes do século XVI. Foi um membro ativo do movimento para a reforma religiosa inspirada no humanismo renascentista. As suas ideias teológicas, eclesiásticas e políticas criaram um modelo de igreja reformada, que fundou e dirigiu na cidade de Genebra. Influenciou profundamente o desenvolvimento do Protestantismo em várias partes da Europa e da América do Norte.






Henrique VIII
Henrique VIII de Inglaterra
Rei de Inglaterra, nasceu em 1491, em Greenwich, e morreu em 1547, em Londres. Ascendeu ao trono em 1509, sucedendo a seu pai, Henrique VII. É recordado pelos seus sucessivos casamentos. As suas seis mulheres foram: Catarina de Aragão (mãe da rainha Maria I), Ana Bolena (mãe da rainha Isabel I), que mandou executar, Jane Seymour (mãe do seu sucessor, Henrique VI), Ana de Cleves, Catherine Howard, também executada, e Catherine Parr. Durante o seu reinado, coincidente com os alvores do Renascimento em Inglaterra, assistiu-se a um reforço do poder real. Ao mesmo tempo, Henrique alterou a posição do país na cena internacional, nomeadamente em consequência do primeiro casamento desfeito (ato que foi considerado uma ofensa à Espanha, que se tornaria uma potência rival e inimiga por muito tempo) e da instauração da Igreja Anglicana. De facto, a criação da Igreja de Inglaterra foi a solução encontrada para a recusa do Papa em declarar a anulação do casamento do rei com Catarina de Aragão. Henrique VIII declarou a independência da Igreja nacional e autoproclamou-se seu líder. Ao mesmo tempo, as propriedades do clero foram confiscadas e os próprios membros viram-se obrigados a submeter-se à nova orientação doutrinária e à nova hierarquia. O casamento foi declarado nulo por um conselho de eclesiásticos. Em resposta, o Papa excomungou o monarca.
Ao longo do seu reinado, Henrique VIII teve como homens de confiança o cardeal Wolsey e o grande intelectual Sir Thomas More. Ambos, porém, acabariam por ser sacrificados no braço de ferro entre Henrique VIII e o Papa - Wolsey caiu em desgraça, sendo afastado do poder, enquanto More foi mesmo executado. Outro homem a quem o rei deu largos poderes foi Thomas Cromwell, um dos grandes responsáveis pelas reformas.

A REFORMA Protestante

Luteranismo
-Como reacção às práticas e comportamento da Igreja, Lutero iniciou o movimento
-reagiu contra a pregação da Bula das Indulgências
-publicação de "As noventa e cinco teses contra as indulgências"
-a salvação através da fé
-direito de interpretar livremente a Bíblia
-rejeição do culto a Nossa Senhora e aos santos

Calvinismo
-Calvino defendia a predestinação
Anglicanismo
-iniciado por Henrique VIII
-o rei de Inglaterra passa a ser o chefe da Igreja

CONTRA-REFORMA -A reacção da Igreja Católica
-Convocou o Concílio de Trento
-Reforço da Inquisição
-Criação do Índex
-Criação das ordens religiosas; Oratorianos e Jesuítas
- Reformou-se interiormente (criou seminários)

ARTE RENASCENTISTA: ESCULTURA

CARACTERÍSTICAS ESCULTURA
-Inspiração nas obras clássicas
-Interesse pelas formas e proporções do corpo humano
-Composição geométrica das figuras
-Retoma a tradição romana de estátuas equestres
-Deixa de ser um complemento da arquitectura
Principais escultores: Donatello e Miguel Ângelo

ARTE RENASCENTISTA: ARQUITECTURA

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A planta centrada de Bramante para a Basílica de São Pedro

Capela Pazzi

Foi construída no jardim da igreja franciscana de Santa Croce, inicia-se em 1429.
Composta de uma planta em cruz grega, com uma cúpula central.
Arquitetura RenascentistaArquitetura Renascentista

Capela Pazzi, Florença

CARATERÍSTICAS ARQUITECTURA

-CLASSICISMO: uso de elementos clássicos: colunas,frontões triangulares,arcos de volta perfeita, abóbadas e cúpulas.
-HORIZONTALIDADE: predomínio das linhas horizontais
-EQUILÍBRIO GEOMÉTRICO
- SIMETRIA das colunas

Grandes arquitectos: Brunelleschi, Bramante e Miguel Ângelo

ARTE RENASCENTISTA: PINTURA

CARACTERÍSTICAS PINTURA
Concebida dentro dos princípios geométricos
Composição em pirâmide
Equilíbrio da composição
Substituição da madeira pela tela
Naturalismo - representação da Natureza
Utilização da perspectiva
A técnica do sfumato (esfumado)
Novas técnicas de pintura a óleo
Temáticas religiosas e anatomia do corpo (representação do nu)
O retrato – um dos temas preferidos
Grandes pintores: Leonardo da Vinci, Botticelli, Rafael, Miguel Ângelo, Dürer, Nuno Gonçalves e Vasco Fernandes
A Madona com o chanceler .

A Madona com o chanceler . 
Neste afresco, pela primeira vez na pintura italiana, tinah sido pintada uma paisagem reconhecível: os arredores de Siena. Van Eyck conservou seus personagens num primeiro plano, e ao fundo abre-se uma vista distante
A pintura tem de nome Madonna del Prado,
e foi realizada por Rafael,
datada nos anos 1505-1506

Esta pintura tem algumas características do renascimento como por exemplo a perspectiva, realismo, naturalismo.Apresenta a perspectiva porque está conforme o tamanho real, representa realismo porque é conforme a realidade e por fim representa naturalismo porque tem paisagem (natureza).


A segunda pintura foi feita por Rafael e chama-se «Madona no Prado» e é uma pintura renascentista porque tem terceira dimensão ou seja o volume das personagens, vemos também o naturalismo como por exemplo as crianças estão nuas e a paisagem e vemos também a perspectiva e a profundidade da imagem.

PINTURA: RAFAEL

Rafael Sanzio,
Autorretrato
Rafael Sanzio (em italiano Raffaello Sanzio; Urbino, 6 de abril de 1483 — Roma, 6 de abril de 1520), frequentemente referido apenas como Rafael, foi um mestre da pintura e da arquitetura da escola de Florença durante o Renascimento italiano, celebrado pela perfeição e suavidade de suas obras. Também é conhecido por Raffaello Sanzio, Raffaello Santi, Raffaello de Urbino ou Rafael Sanzio de Urbino.
Urbino era então capital do ducado do mesmo nome e seu pai, Giovanni Santi, pintor de poucos méritos mas homem culto e bem relacionado na corte do duque Federico da Montefeltro. Transmitiu ao filho, de precoce talento, o amor pela pintura e as primeiras lições do ofício. O duque, personificação do ideal renascentista do príncipe culto, encorajara todas as formas artísticas e transformara Urbino em centro cultural, a que foram atraídos homens como Donato Bramante, Piero della Francesca e Leone Battista Alberti.
Principais obras
O primeiro trabalho registrado de Rafael foi um altar para a Igreja de San Nicola da Tolentino na cidade de Castello, entre Perúgia e Urbino. A peça foi encomendada em 1500 e terminada um ano depois.
Foi muito danificada por um terremoto em 1789, restando atualmente somente alguns fragmentos na Pinacoteca Tosio Martenigo, na Brescia.
Outra peça importante de seus primeiros anos foi o altar de Oddi para a capela de mesmo nome na igreja de São Francisco de Perúsia. Rafael, provavelmente como membro da oficina de Pietro Perugino, trabalhou também nos afrescos do Collegio del Cambio
O Casamento da Virgem, de 1504, foi sua principal obra desse período, ainda influenciado pelo estilo de Perugino. Logo depois Rafael concluiu três pequenos quadros: Visão de um Cavaleiro, As Três Graças e São Miguel. Neles já se expunha o seu estilo amadurecido e o frescor que lhe acompanharia a vida toda.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

ESCULTURA: DONATELLO


Artista florentino do Renascimento italiano, Donato di Niccolò di Betto Bardi, conhecido pelo diminutivo Donatello, é considerado um dos maiores escultores de sempre e o fundador da escultura moderna. Nasceu em 1386 e veio a falecer em 1466. Começou como aprendiz de ourives, mas Ghiberti foi realmente o seu primeiro mestre. Por volta de 1406, aceitava encomendas para a Catedral de Florença. O seu primeiro trabalho em mármore, uma representação de David, revela-se ainda muito dependente da influência da escultura gótica, com algumas tendências clássicas. S. Marco, S. Jorge, João Evangelista e o relevo S. Jorge Matando o Dragão pertencem a esta etapa de formação. Pode considerar-se que os princípios da escultura clássica marcam um segundo período artístico, que se estende de 1425 a 1443. Donatello usou a perspetiva matemática para dar maior profundidade aos trabalhos e estudou a arte romana da caracterização das figuras. De 1430 a 1433 executou várias encomendas em Roma, mas foi em Florença que criou a estátua mais notável deste período e o primeiro nu, em escultura, do Renascimento: um bronze de David. Donatello vai depois desviar-se da influência clássica e o seu trabalho passa a enfatizar o aspeto realista e a caracterização dramática das cenas e das personagens. Permaneceu em Pádua dez anos, de 1443 a 1453, e durante esta época executou Os Milagres de Santo António, baixos-relevos pertencentes à Basílica de S. António, Il Gattamelata, a primeira estátua equestre em bronze desde os tempos do Império romano, e Judite e Holofernes. Estes trabalhos vieram a influenciar a escola de pintura paduana e especialmente Mantegna, o maior pintor de Pádua. Os últimos anos da sua vida foram passados em Florença. A sua obra assumiu aspetos mais trágicos, como em A Madalena (1455). A maior parte dos escultores florentinos do século XV basearam os seus trabalhos na arte de Donatello, utilizando como ele o baixo-relevo e partilhando o interesse pelo estudo da anatomia como meio de exprimir emoção e criar um movimento dramático.



ARQUITECTURA: BRUNELLESCHI

Filippo Brunelleschi
Arquiteto, escultor e ourives italiano, filho do notário e diplomata Ser Bunellescho Lippi, Filippo di Ser Brunelleschi Lippi, simplesmente Filippo B., nasceu em Florença no ano de 1377, aí vindo a morrer a 15 de abril de 1445. Registou-se a sua entrada como mestre na guilda dos ourives em 1398, e uma segunda vez em 1404. Em 1399 Brunelleschi trabalhava na loja de Matteo Ducci da Pistoia, tendo aí fabricado as imagens em prata do altar de São Tiago da catedral da mesma cidade de Pistoia. Deu-se em 1401 o famoso concurso para a manufatura da segunda porta de bronze do Batistério de Florença, ganho por Lorenzo Ghiberti. Subsequentemente, Brunelleschi deixou de dedicar a totalidade do seu tempo à escultura e dedicou-se ao trabalho de consultor nas obras da catedral de Florença e à investigação no âmbito da arquitetura (nomeadamente dos artistas da Antiguidade Clássica), que resultou na definição matemática da chamada perspetiva ou perspetiva de ponto único. Em 1417 a sua opinião foi requerida em relação à cúpula da catedral florentina, uma complexa obra de engenharia em que ele começou a trabalhar com Ghiberti mas que concluiu sozinho e lhe valeu a fama por ter introduzido elementos estruturais inéditos (como a cúpula dupla) e conseguido levar a bom termo uma obra arquitetónica tecnicamente avançada para o seu tempo. Em 1436 foi encarregue de planear o tempietto ou lanternim octogonal desta catedral. No ano de 1419 projetou o Ospedale degli Innocenti para a mesma cidade por encomenda do grémio da seda e de João de Médicis, onde fundiu as influências da estrutura românica e da proporção clássica. Foi dois anos mais tarde que iniciou o projeto de adaptação da igreja de San Lorenzo, também por encargo de João de Médicis, onde apurou a conceção estruturalmente pura dos espaços, utilizando uma vez mais o sentido de proporção e a planta basilical. Esta foi igualmente aplicada à igreja do Espírito Santo, que começou em 1436 mas apenas foi terminada após a sua morte, que ocorreu em 1446. Em 1429 iniciou a construção da capela da família Pazzi, na basílica de Santa Croce, e faleceu também antes que estivesse acabada esta obra de planta quadrada com remate em cúpula, uma das primeiras do género. O projeto de planta centralizada que Brunelleschi elaborou entre os anos de 1434 e 1437 para a igreja de Santa Maria degli Angeli não foi concluído, não deixando porém de ser considerado a sua obra maior, nomeadamente a sua cúpula. As influências basilares da sua conceção arquitetónica, como a planta basilical e a centrada, assim como o sentido de proporção classicizante e a aplicação dos princípios matemáticos da perspetiva a edifícios (sob a forma tridimensional e conjugando volumes perfeitos como o cubo), tornaram este arquiteto uma das personagens mais importantes da génese do Renascimento
Catedral de Florença
Construída entre 1296 e 1461, é também conhecida como Duomo. O plano inicial, de raiz gótica, da autoria de Arnolfo de Cambio, incluía já a grande cúpula. Apesar dos poucos vestígios góticos, conserva-se a decoração das paredes com mármores incrustados, as fachadas setentrionais e o campanário. O batistério, de desenho românico, é um prisma octogonal com cúpula em pirâmide. O seu revestimento, com placas de mármore, revela uma inspiração clássica. O objetivo da sua construção era ultrapassar, em magnificência, o batistério de Pisa. São vários os artistas de nomeada que participaram nesta grandiosa obra. É o caso de Giotto, nomeado diretor das obras da catedral em 1334, ou de Ghiberti, que ganhou o concurso para as portas de bronze do batistério, com um baixo relevo de inspiração gótica. Também Donatello trabalhou na escultura da catedral, nomeadamente no campanário. Mas o ex-líbris desta obra é a cúpula (1420-1436), da autoria de Brunelleschi , que também riscou a lanterna, só concluída na segunda metade do século XV. A cúpula octogonal foi erguida sobre uma rede de nervuras recortadas em oito círculos concêntricos. Esta técnica foi concebida por Brunelleschi para poder elevar a estrutura sem as tradicionais tábuas de madeira, cuja utilização era aqui impossível dado o diâmetro do tambor. A técnica de construção consistiu na utilização de pedra e tijolo, dispostos em espinha de peixe, convergindo para um centro único, obtendo-se uma curvatura em "quinta parte". Deste modo o autor conciliou a técnica gótica de nervuras e as estruturas da arquitetura romana. Juntamente com a Basílica de S. Lourenço e os palácios Pitti, Médici-Riccardi e Uffizi, faz parte do centro histórico de Florença, local classificado Património Mundial pela UNESCO em 1982.

PINTURA: LEONARDO DA VINCI

Leonardo da Vinci
Leonardo da Vinci
Artista genial e inventor multifacetado italiano, nasceu a 15 de abril de 1452, em Vinci, perto de Florença, e morreu a 2 de maio de 1519 em Amboise. Leonardo da Vinci foi um dos grandes artistas do Renascimento italiano. A paixão pelo conhecimento conduziu-o pelos vários campos do saber, levando-o a interessar-se pela arquitetura, pela engenharia e pela ciência. Antecipou muitos dos caminhos da investigação moderna e influenciou duradoiramente a arte italiana.Leonardo recebeu uma educação cuidada e foi aluno e depois assistente de Verrocchio. Diz-se que este teria deixado de pintar, dedicando-se exclusivamente à escultura, por se sentir ultrapassado por Leonardo. Nos trabalhos inacabados de S. Jerónimo (1481) e de A Adoração dos Reis Magos (1481), a mestria do pintor está já patente: o problema da representação de um grupo é resolvido de modo a que as figuras do primeiro plano não se deixem submergir pelas do segundo plano.Em 1483, instalado em Milão, Leonardo trabalhou na composição de A Virgem Dos Rochedos, de que existem duas versões. Trabalhava muito os seus projetos e, em A Virgem, o ritmo da composição evidencia uma forma uterina, matriarcal, totalmente em harmonia com o tema, e em que mesmo os gestos das personagens apontam para um movimento circular. Em 1497 teria completado o fresco A Última Ceia, considerado um exemplo de penetração psicológica e de subtileza de expressão, mas que infelizmente chegou até aos nossos dias muito danificado.Passou em Milão cerca de dezassete anos, trabalhando em projetos de arquitetura e de engenharia. Durante esse período fez muitos estudos anatómicos e tentou resolver os mais variados problemas científicos. Os planos, notas e esboços resultantes, deixou-os compilados em milhares de páginas. De volta a Florença em 1503, pintou a Mona Lisa e terá começado A Virgem e o Menino com Santa Ana. Viajou muito e finalmente instalou-se em França, sob a proteção de Francisco I, vindo a falecer em 1519.
Mona Lisa
A pintura "Mona Lisa", realizada pelo pintor renascentista Leonardo da Vinci, representa uma enigmática figura feminina sobre uma paisagem que tem sido interpretada como o retrato de uma dama, provavelmente florentina. Apesar das reduzidas dimensões que apresenta (setenta e sete por cinquenta e três centímetros), adquiriu um significado mítico que ultrapassa em muito a sua real importância para a história da arte, eclipsando outras obras de maior interesse do seu próprio autor. Este fascínio advém em grande parte da ambígua e idealizada expressão da personagem, transmitida pelo seu misterioso sorriso.Imersa numa enigmática e complexa teia de interpretações pouco consensuais, esta pintura tem vindo a iludir todas as tentativas de atribuição cronológica e de identificação da figura representada. Uma das versões, que recolheram maior unanimidade ou, pelo menos, maior divulgação, deve-se ao historiador e artista Giorgio Vasari que, em meados do século XVI, atribuiu a execução desta pintura a 1505. Vasari procurou com esta cronologia acentuar o seu retrato de um Leonardo genial (ideia que ainda perdura), tornando-o no mais importante e influente pintor renascentista. De facto, esta data permitia-lhe estabelecer uma filiação leonardesca para muitas pinturas de retratos da autoria de outro importante pintor renascentista, Rafael e realizadas precisamente por volta desta data. Segundo autores mais recentes, as características formais e estilísticas, nomeadamente ao nível da paisagem, do tratamento da cor e da modelação do panejamento, remetem esta obra para um período mais tardio, posterior a 1510. É de facto possível estabelecer um paralelo entre esta pintura e a solução cromática do negro sobre negro do quadro "A Virgem dos Rochedos".Outra das dificuldades tem sido a interpretação temática (embora seja quase dogmaticamente reconhecido como um retrato) assim como a identificação da figura representada. Em 1550 Vasari atribuiu a uma pintura de Leonardo o nome de Gioconda, identificando a personagem como sendo Lisa Gherardini, mulher do mercador florentino Francesco del Giocondo, embora sem qualquer prova documental. No entanto só em 1625, Cassiano del Pozzo identificou esta pintura com o retrato da Gioconda descrito por Vasari. Apesar de esta teoria ter sido posta em causa, é geralmente aceite que este quadro é o retrato de uma dama florentina, no qual Leonardo trabalhava durante os últimos anos de vida, quando residia em França. Tal como todos os quadros de Leonardo da Vinci, esta pintura foi realizada sobre tábua (embora em Itália fosse já frequente a utilização de suportes em tela, desde o início da carreira do artista). Abandonando a têmpera, o pintor utilizou tintas de óleo que lhe permitiram aplicar, tanto na figura como na paisagem, um processo expressivo conhecido por sfumatto (esfumado). Este processo consistia na modelação das formas através de gradações delicadas de luz e sombra, obtidas pela mistura suave dos tons e das cores e pela diluição dos contornos, criando uma atmosfera velada e difusamente iluminada. O grande rigor, perfeição e meticulosidade da representação de todos os elementos contidos no quadro foram suportados pelo aprofundado conhecimento da realidade (possibilitada pelo espírito analítico e científico de Leonardo) e pela observação cuidada dos fenómenos e dos objetos que pintou.O quadro "Mona Lisa" encontra-se exposto no Museu do Louvre em Paris.

PINTURA: SANDRO BOTTICELLI

Sandro Botticelli
Sandro Botticelli
Pintor do Renascimento italiano, Alessandro di Mariano Filipepi nasceu em 1445, em Florença, e aí morreu em 1510. Muito provavelmente, foi discípulo do pintor Fra Filippo Lippi. Em 1470 possuía já um atelier e tinha recebido a encomenda da alegoria da Coragem.
Quanto ao aperfeiçoamento do seu estilo, exprimindo-se na preocupação pelo sentido da forma e do traço mais do que pelo volume, sofreu posteriormente a influência de Pollaiuolo e de Verrocchio.
Protegido pela família Medicis, para quem executou vários trabalhos, ficou impregnado pelo ambiente artístico e mental que se vivia na corte de Lourenço "o Magnífico" - A Alegoria da primavera (cerca de 1478) e O Nascimento de Vénus (1486), sem dúvida os seus quadros mais famosos, pretendem recriar certas conceções da Antiguidade clássica à luz da filosofia cristã.
 Pintou igualmente retratos dos Medicis e quadros de temas religiosos, que incluem a representação de várias "Madonnas".
Entre 1481 e 1482 executou três frescos da Capela Sistina no Vaticano.
 Nos últimos anos o seu estilo tornou-se mais obscuro. Depois de os Medicis terem sido expulsos de Florença, Botticelli teria sofrido uma crise de ordem espiritual, como resultado dos discursos do dominicano Savonarola.
Embora esta influência não esteja comprovada, o certo é que os últimos trabalhos refletem uma certa melancolia e uma extrema devoção: A Natividade Mística (cerca de 1500), sobretudo, comunica uma atmosfera intensamente religiosa.

PINTURA: ESCULTURA: ARQITECTURA:MIGUEL ÂNGELO

Michelangelo Buonarroti
Michelangelo Buonarroti 
 Escultor, pintor, arquiteto e poeta, Michelangelo Buonarroti, conhecido também por Miguel Ângelo, nasceu em 1475 e iniciou-se na pintura aos 13 anos, como aprendiz de Ghirlandaio, fazendo-se notar pela firmeza e força do seu traço. Trabalhou depois numa oficina de escultura patrocinada por Lourenço de Medicis, vindo a frequentar a sua casa e o círculo intelectual de que se fazia rodear.
A sua estadia em Roma, de 1496 a 1501, é essencialmente marcada pela primeira obra-prima, Pietà (1500?), um dos trabalhos mais acabados do artista.
Em 1501 regressa a Florença onde, na primavera desse ano, é já acolhido como artista consagrado. Nessa data inicia um dos seus mais famosos trabalhos a estátua de David, que termina em 1504. Outras obras terminadas durante a sua estadia em Florença são a Virgem de Bruges (1506) e A Sagrada Família. O papa Júlio II reclama os serviços do escultor para Roma em 1505, mas é o pintor que durante três anos de trabalho intenso vai decorar os tetos da Capela Sistina.
O pintor, mas igualmente o arquiteto, que adota uma nova estrutura para a organização de toda a obra. A força das figuras vem de uma eficaz utilização das sombras e da cor que emprestam a todo o conjunto uma solene simplicidade eminentemente clássica.
Esta obra exprime exemplarmente as tendências neoplatónicas de que se tinha impregnado na corte dos Medicis. O teto é terminado em 1512 e a reputação de Michelangelo estava confirmada.
 Era considerado o maior artista desde a época clássica.Voltou depois ao projeto, iniciado anteriormente, do túmulo de Júlio II, que nunca chegou a ser realizado tal como tinha sido concebido. Para esse projeto executou Moisés e os Escravos.
O papa Leão X encomendou-lhe o modelo de uma nova fachada para a Igreja de S. Lourenço de Florença, que não foi possível levar até ao fim. De 1536 a 1541, de novo em Roma, executou o fresco O Juízo Final, um trabalho que se distingue dos frescos anteriores pelo tom geral de pessimismo e de angústia que vai caracterizar igualmente os trabalhos da Capela Paulina.Muito provavelmente trabalhava na estátua Pietà Rondanini antes de falecer, com oitenta anos, em 1564.
Esta obra, complexa na expressão dos sentimentos, atinge quase a abstração, do ponto de vista formal. O estilo de Michelangelo influenciou grandemente as gerações posteriores de artistas italianos. A sua celebridade está patente no facto de, ainda em vida, ter sido objeto de duas biografias.

PINTURA: ARQUITECTURA: CAPELA SISTINA

Capela Sistina
Capela papal do Palácio do Vaticano, um dos maiores palácios do mundo. Foi mandada edificar por Sisto IV - advindo daí o seu nome - entre 1473 e 1481, e esteve a cargo do arquiteto Giovanni dei Dolci.
Era aqui que se realizavam os conclaves para a eleição do Papa, tendo havido, por isso, um extremo cuidado na sua decoração. Nas paredes trabalharam Botticelli, Perugino e outros pintores importantes do Quattrocento, que aí pintaram, além de retratos de papas, cenas das vidas de Cristo e de Moisés.
A abóbada, contudo, foi pintada dentro da tradição bizantina: estrelas douradas sobre fundo azul.
A pintura do teto foi encomendada pelo Papa Júlio II a Michelangelo Buonarroti, que se encontrava a fazer o seu sepulcro. Por esse motivo acelerou o trabalho e executou-o em apenas quatro anos (1508-1512) - muitos anos mais tarde, o restauro do teto haveria de ter início em 1980, demorando dez anos até à sua conclusão.
 Pela dimensão e formato do teto, pouco propício ao desenvolvimento de um só tema, Michelangelo optou por dividi-lo com arcos torais fingidos e cornijas em perspetiva: os dotes de arquiteto e escultor precediam o pintor. O programa escolhido, episódios do Génesis, vinha na continuidade dos anteriores.
Enquadrou estes temas com ignudi, profetas e sibilas. Vinte e dois anos mais tarde voltou, a convite do papa Paulo III, a pintar na parede do fundo o Juízo Final (1534-1541), uma obra já de conceção maneirista que reflete os tempos da Reforma Católica, de intenso fervor religioso.
 Cansado com a obra da Basílica de S. Pedro e triste pela morte de Vitória Collona, Michelangelo transmite neste fresco uma sombria conceção da vida humana e uma profunda resignação.
 Pormenor curioso foi o artista ter-se autorretratado entre os pecadores, suplicando clemência. Representa a sua face na pele que S. Bartolomeu segura, símbolo do seu martírio.

PINTURA: ALBRECHT DURER

Albrecht Dürer
Artista gráfico e humanista alemão, Dürer nasceu em Nuremberga em 1471, sendo filho de um ourives de origem húngara. Foi admitido com quinze anos na oficina do pintor e gravador Michael Wolgemut.
Viajou durante quatro anos, cumprindo a tradicional viagem de "companheiro" pelos centros artísticos da Alemanha. Pintou o seu primeiro autorretrato em 1493.
O primeiro contacto com a arte italiana produziu-se através dos cobres de Mantegna.
Durante uma viagem a Itália começou a pintar em aguarela. Iniciou nesta época as ilustrações do Apocalipse, editadas em Nuremberga em 1498. Desenvolveu a técnica da aguarela, usando como tema plantas e animais que reproduzia fielmente, com imensa sensibilidade.
 Em Adoração dos Reis Magos (1504), demonstra a mestria que entretanto adquiriu da perspetiva e do estudo das proporções do corpo humano. O trabalho Adão e Eva, de 1507, sintetiza o seu ideal de beleza. Mas a Adoração da Santíssima Trindade (1511) fica como a obra-prima mais representativa deste período. De 1512 a 1520 surgem as melhores estampas: O Cavaleiro, A Morte e o Diabo, S. Jerónimo na Sua Cela e Melancolia, em que o mistério das alegorias é servido por uma técnica perfeita. Em 1512 é nomeado pintor de corte de Maximiliano I.
Em 1520, depois da morte do imperador, parte para os Países Baixos, tendo visitado muitas das cidades do Norte e conhecido pintores e homens de Letras, entre os quais Erasmo de Roterdão. Nos últimos anos da sua vida, em Nuremberga, trabalhou em tratados teóricos, pois os seus interesses, no espírito humanista do Renascimento, abrangiam muitos campos: a matemática, a geografia, a arquitetura, a geometria e a fortificação. O Tratado das Proporções do Corpo Humano (1528) será muito utilizado pelos pintores dos séculos XVI e XVII. Os melhores retratos pertencem a esta última fase. Na última grande obra, Os Quatro Apóstolos, as personagens encarnam o homem nas suas diversas idades e tendências. Dürer obteve uma síntese entre a linguagem pictural das escolas do Norte e a italiana, integrando assim a Alemanha no movimento do Renascimento.
 Morreu em 1528.

LITERATURA: ERASMO DE ROTERDÃO:O ELOGIO DA LOUCURA-1511

BIOGRAFIA
Desidério Erasmo nasceu em Rotterdão no dia 28 de outubro de 1467 e faleceu na Basiléia em 11 de junho de 1536. É um pensador humanista de grande importância, ligado ainda à teologia. Filho de Gerardius de Präel, que morreu quando Erasmo tinha treze anos, em 1480. Era chamado de " filho de Geraldo", pois era comum naquela época os filhos serem conhecidos pelos nomes dos pais. Começou seus estudos em Guda, e pouco depois passou para a catedral, como pajém. Foi então para a célebre escola de Alexandre Hegius, em Deventer, até que morreu sua mãe. Então parou de estudar, por falta de recursos.
A pedido de seus parentes e tutores, foi para o seminário de Bois-de-Due. Devido seu caráter introspectivo e por ser um estudioso aplicado, julgavam-no apto para seguir a carreira monástica e tornar-se padre. Porém, nos três anos em que Erasmo passou como seminarista, não ocupou-se muito com a filosofia e com a religião, preferindo a música e a pintura.
Após este período, voltou para Guda, onde viveu com seus tutores. Lá, com 19 anos, decidiu seguir a vida do claustro, junto com seu amigo Cornelio Verdenius, antigo companheiro em Deventer. Foi então para o convento de Stéin o Emmaus, nos arredores de Guda. Após mais um tempo no convento, decidiu definitivamente que não havia nascido para monge. Mas para não desagradar seus parentes, fez os votos e continuou estudando. Enquanto seus companheiros de monastério se dedicavam aos cultos religiosos, Erasmo ia sozinho para a biblioteca e lá passava horas estudando, fazendo anotações. Isto levou a formação de uma cultura superior, que mais tarde tornou-se a causa de seu êxito intelectual e da fama de sua erudição. Se entusiasmou com as obras do humanista Lorenzo Valla, e em companhia de seu amigo Guilherme Hermann – que tornou-se poeta lírico – , aprendeu a língua latina. A língua latina era a língua escrita por execelência, além de ser básica na Igreja católica, que ainda dominava em grande parte a cultura da Idade Média. O conhecimento do Latim possibitou a Erasmo fazer-se entender em outros países.
Erasmo, orfão de pais desde cedo, obrigado a viver a vida regrada dos monastérios, já exercia no começo de sua juventude a agudez satírica que o consagraria mais tarde em seu Elogio da Loucura. Por essa época, divertia-se com pequenos ensaios, como o “De Contemptu Mundi”, que ironizava a vida dos monges, relevando o aspecto mundano destes.
Felizmente, não precisou continuar muito mais tempo nesta vida, pois graças ao seu bom latim, foi nomeado por seus superiores para acompanhar até Roma Enrique de Bergen, bispo de Cambrai, a quem o papa havia concedido o título de cardeal. A viagem durou bastante e o cardeal foi seu protetor durante este tempo. Para acompanhá-lo, Erasmo foi ordenado presbítero. É uma constante da vida de Erasmo a ajuda e o suporte de amigos, mecenas e pessoas poderosas que se interessavam pela cultura.
Em 1486, Erasmo foi para Paris terminar seus estudos. Se instalou no colégio Montaigú, onde sentia repugnância pelos ensinamentos teológicos e pela comida, que era basicamente a base de peixe, alimento que lhe fazia mal. Aguentou durante três meses esta situação, até que lhe autorizaram a voltar para Cambrai, onde residiu por mais um ano. Lá se curou das enfermidades que lhe ocorreram durante sua estada na França.
Ao cabo deste ano, voltou a Paris, mas sem a proteção de Enrique de Bergen, que havia falecido, foi obrigado a se iniciar como professor particular para sobreviver. Conseguiu alguns discípulos ricos, que lhe davam excelente pagamento. Entre seus discípulos estava Guilherme Mountjoy, um inglês, que gostava muito de Erasmo e lhe acolheu em sua casa, com o consentimento de seus pais, estes muito estimaram a presença de um professor de maneiras corretas e grande cultura.
Foi então que uma grande peste assolou Paris, e centenas de habitantes começram a morrer diariamente. Erasmo fugiu para o sul da França, onde travou amizade com a marquesa Ana de Vera, que também ficou encantada com Erasmo e passou a lhe fornecer uma pensão de cem florins.
Pouco tempo depois Erasmo foi para Orleans, onde permaneceu três meses na casa do catedrático Jaime Tudor, que havia conhecido em Cambrai, onde Tudor lecionava direito canônico.
Em 1497, foi com seu discípulo Guilherme Mountjoy para Londres, onde permaneceu até 1500. Lá visitou a Universidade de Cambridge e Oxford, onde travou amizade com os mais insígnes humanistas da época, como Thomas More – de quem tornou-se grande amigo – , Juan Coleti, Guilhermo Crocyn e Latimer.
Thomas More o apresentou ao rei Henrique VII, que o recebeu com muita estima, pois Erasmo sempre se fazia simpático e amigável com os poderosos.
Na Universidade de Oxford, terminou seus estudos em grego, um idioma que só os eruditos conheciam na época. Este conhecimento serviu de ponte para sua relação com o douto filósofo Juan Colet, que lhe deu a conhecer obras importantíssimas, como a primeira versão da Bíblia. O conhecimento deste manuscrito foi decisivo para Erasmo se apartar da filosofia escolástica.
Volta então à França, passando pelas cidades de Paris, Orleans, e Lovaina, analisando as obras curiosas das bibliotecas locais.
Vivendo quase que exclusivamente da escrita, como acontecia com a maior parte dos humanistas. Começou a publicar vários livros e tratados, que chamaram a atenção dos estudiosos e lhe conferiram uma grande autoridade intelectual. Os poderosos e magnatas passaram a solicitar a companhia de tal estudioso, tão versado nas ciências filológicas e literárias. Em 1504, o encarregaram de recepcionar o novo governante, o arquiduque Felipe, recebendo por este trabalho 50 moedas de ouro, o que solucionou seu problema financeiro por dois anos. Pouco tempo depois, na Louvania, travou relação com um grupo de teólogos, entre os quais o futuro Alexandre VI e o fransciscano P. Vitrarius, que se tornou seu amigo íntimo e o ajudou economicamente depois.
Graças a um mecenas de Lovaina, editou as obras de um de seus autores prediletos, o sábio Lorenzo Valla. Se dedicou às obras sobre o Novo Testamento deste sábio, e escreveu para elass um prefácio considerado interessantíssimo, que foi muito comentado em todas as partes.
Um dos grandes desejos de sua vida era conhecer bem a Itália, mas as suas ocupações e problemas financeiros não permitiam a realização de tal projeto.
Seus numerosos amigos de Londres lhe facilitaram uma cátedra em Cambridge, onde lecionava seu antigo discípulo Guilhermo, que sempre o estimou.
Em 1506 Erasmo finalmente realizou seu desejo de viajar para a Itália, passando antes por Paris e Lion, cidade que lhe agradou muitíssimo. Passou por Turim, cuja Universidade lhe concedeu o título de doutor em teologia, sendo muito admiradas as suas aulas, que expunham de forma original e convidativa os textos cristãos.
Residiu brevemente em Bologna – que era um grande centro cultural italiano – passando pouco depois à Florença, onde também foi homenageado pelas universidades e centros de cultura. Regressou pouco tempo depois à Bologna, onde o papa Jacob II o saudou, e lhe disse que seria muito bem vindo em Roma, se resolvesse lá fixar residência.
Foi para Roma e lá ficou durante um ano, sendo estimado por todos, pois o papa não parava de elogiar os profundos conhecimentos de Erasmo, que nesta época já era famoso em toda Europa.
Encaminhando-se em Veneza, travou amizade com o impressor Aldo Monucio, que pouco tempo antes, em 1500, havia publicado uma obra sua, chamada Adágios. Aldo foi seu anfitrião em Veneza, mas Erasmo demonstrou ingratidão ao satirizar Aldo e sua família.
Em 1508, Erasmo abandonou Veneza, e passou uma curta temporada em Pádua, retornando depois para Roma. No caminho parou por alguns dias na cidade de Siena, onde visitou um antigo aluno.
O êxito de seu adágio lhe valeu novas amizades e o ingresso nos círculos culturais, e também uma infinidade de alunos, que ansiavam por aprender suas lições.
O papa o dispensou de seus votos clericais, que havia assumido anteriormente. E isso permitiu-lhe uma maior liberdade para se vestir e uma maior flexibilidade de costumes.
Quando Henrique VII – que Erasmo conhecera quando este era princípe herdeiro - assume o trono da Inglaterra, insiste muito para que fique com ele, pois lembrava das lições de Erasmo na Universidade de Cambridge.
Por volta do ano de 1511, permaneceu um ano na localidade de Addington, a convite do arcebispo de Canterbury. De lá saiu por ser uma província demasiado pequena e não poder relacionar-se com pessoas mais instruídas, como costumava fazer.
Nesta época começou a sentir-se mal de saúde, sofrendo enfermidades e moléstias, por conta do clima nebuloso da ilha. Passou a pensar em morar num melhor clima, onde pudesse ainda manter-se estudando.
Em 1513 foi para a Alemanha, passando pelas cidades mais importantes até chegar à Basiléia. Era sempre bem recebido por onde chegava. Na Basiléia foi chamado novamente pela corte inglesa, onde permaneceu até 1516, indo então para a Holanda, na corte do jovem monarca Carlos, que lhe nomeou seu conselheiro, assegurando-lhe uma pensão de 400 florins. Erasmo não era obrigado a morar com ele e pouco trabalhava. Isto lhe deu liberdade para que viajasse a vontade às custas do estado.
Com o dinheiro da pensão, Erasmo comprou uma casa sossegada num lugar aprazível, onde se rodeou de comodidades, afim de passar confortavelmente o inverno. Erasmo sempre sofreu com o inverno, e por isto desta vez equipou bem a sua casa, com estufa e forros na parede.
Sua prosperidade foi crescendo, e com o dinheiro que sobrava, subsidiava jovens estudantes que mostravam predisposição para a filologia e a literatura. Aos políticos que lhe vinham pedir conselho, geralmente não atendia, pois não se considerava político e achava que isso deveria ser feito só pelos que se dedicavam à essa área, a qual não tinha vocação. A vida de Erasmo era totalmente dedicada ao labor intelectual, e tudo que estivesse fora disto era evitado.
Os lugares de preferência de Erasmo era a Lavaina, Basiléia, Bruxelas, Amberes e Londres. Em Londres ia sempre que o monarca inglês solicitava seus serviços. Residiu durante muitos anos na sua tranquila propriedade da Basiléia, estabelecendo notável correspondência com os filósofos e eruditos mais celébres de seu tempo, como Escolampadro, beato Rheananus e Gloreano.
Com a chegada da reforma na Alemanha, Erasmo se vê obrigado a emigrar, indo pra Friburgo de Brisgau, onde adquiriu uma casa modestíssima, que preparou conforme seu gosto, para poder se dedicar à escritura e a à leitura, únicos prazeres verdadeiros de sua vida de solitário.
Erasmo, que deixara a Basiléia por ser contra os protestantes, começa a ser hostilizado também na Holanda, com a instauração das doutrinas protestantes em sua pátria. Isto lhe fez perder sua serenidade. Tanto católicos como protestantes vinham pedir seus conselhos sobre qual era a melhor forma de praticar a religião.
Aplacadas as lutas ideológicas, marchou para Roma, onde o papa Paulo III lhe deu um priorato em Deventer. Marchou para Paris, mas antes deteve-se alguns meses na Basiléia, onde imprimiu algumas de suas obras. Mas as enfermidades voltaram a ficar graves e durante o inverno, que lhe foi terrível, se viu obrigado a permancer mais tempo. ficou em sua casa na Basiléia debaixo das cobertas, completamente doente.
Na convalescência, chegou a começar uma edição crítica das obras de Orígenes, mas por pouco tempo. Em 11 de junho de 1536 falecia aquele que era chamado de ” o príncipe dos humanistas”. Grandes foram as homenages que lhe foram prestadas em quase toda a Europa. Na Espanha seu nome gozou de especial predileção, pois muitos discípulos escreviam inúmeros estudos a seu respeito, o que ficou conhecido como erasmismo. Seu corpo foi sepultado na catedral da Basiléia.
A OBRA:
Elogio da Loucura – Erasmo de Rotterdam
“Um mal não é um mal para quem não o sente; Que te importa se todos te vaiam se tu mesmo te aplaudes?”
Erasmo de Rotterdam foi pregador do evangelismo filosófico, padre e crítico da igreja católica. Escrita em 1509, Elogio da Loucura é sua obra mais conhecida, dedicada a Sir Thomas More, filósofo humanista e santo da Igreja Católica que foi executado por ordem de Henrique VIII na Torre de Londres.
Apesar de ser um livro antigo, continua muito atual, até mesmo em suas denuncias políticas, o que mostra o poder e consistência das argumentações de Erasmo.
Como se fosse um monólogo, ele personifica uma personagem conhecida, porém pouco discutida: A Loucura. Indignada com a falta de elogios e respeito de seu trabalho, ela resolve elogiar a si mesma e mostrar como é importante na sociedade. Sempre vista como uma doença ou algo indesejado, ela se mostra encantadora. Apegada a detalhes do nosso cotidiano, ela se coloca necessária e faz com que nós, leitores, gostemos dela.
‘Prova’ estar presente nas artes e nas ciências, na religião (Está escrito no primeiro capítulo de Eclesiastes: O número dos loucos é infinito. Ora, esse número infinito compreende todos os homens, com exceção de uns poucos, e duvido que alguma vez se tenha visto esses poucos) e na filosofia, nos casamentos (O que seria da raça humana se a insanidade não nos impulsionasse na direção do casamento?) e nas amizades (Não é mérito da Loucura haver no mundo laços de amizade que nos liguem a seres perfeitamente imperfeitos e defeituosos?) dizendo que está presente até no “bom senso”.
Ela nos mostra como são patéticas as pessoas que se apegam a coisas vazias e propõe que devemos viver como as crianças e os idosos.
Não é sempre que encontramos a Loucura por ela mesma. Vale a pena!

LITERATURA:THOMAS MORE:UTOPIA:1516

BIOGRAFIA:Thomas More
Thomas More
Escritor e pensador inglês, Thomas More nasceu a 7 de fevereiro de 1477, em Londres. Filho de um juiz proeminente, estudou na Escola de St. Anthony na sua cidade. Enquanto jovem foi pajem do arcebispo Morton, que lhe predisse grandeza.Prosseguiu os seus estudos em Oxford, sob a tutela de Thomas Linacre e de William Grocyn. Aí não só estudou Literatura Grega e Latina, como começou a escrever comédias. Uma das suas primeiras obras foi uma tradução para inglês da biografia em latim do humanista Picco della Mirandola, impressa em 1510.Por volta de 1494, tornou a Londres para estudar Direito, tornando-se advogado em 1501. Fez intenções de abraçar a vida monástica, mas sentiu-se na obrigação de servir o seu país através da política. Foi eleito para o Parlamento em 1504, altura em que casou pela primeira vez.Tornou-se amigo de Erasmo, aquando da sua primeira visita a Inglaterra em 1499. Trabalharam em conjunto na tradução das obras de Luciano. Erasmo, por ocasião da sua terceira visita ao país, publicou o Encomium Moriae (1509, O Elogio da Loucura), dedicando-o a More.Atraindo a atenção do rei Henrique VIII, foi por diversas vezes enviado pelo monarca em missões diplomáticas ao estrangeiro. Em 1516 traduziu a sua obra mais conhecida, Uthopia (A Utopia), do latim para o inglês.Em 1518 foi nomeado membro do Privy Council e investido cavaleiro em 1521. More ajudou o rei a escrever um repúdio às ideias de Martinho Lutero e, ganhando o favor real, foi nomeado orador da Câmara dos Comuns, em 1523, e Conselheiro do Ducado de Lencastre, em 1525. Recusando-se apoiar o plano de Henrique VIII para se divorciar de Catarina de Aragão foi, não obstante, elevado ao cargo de Lorde Conselheiro, sendo o primeiro leigo a ocupá-lo.Demitiu-se das suas funções em 1532, alegando razões de saúde, e recusou-se assistir à coroação de Ana Bolena em 1533, facto que desagradou ao monarca. Em 1534 foi acusado de cumplicidade com Elizabeth Barton, uma freira que se opunha ao cisma de Henrique VIII com Roma.Em abril de 1534, More recusou-se a pronunciar a Lei da Sucessão e o Juramento de Supremacia, sendo por isso condenado à prisão na Torre de Londres a 17 de abril. Acusado de traição, foi decapitado a 6 de julho de 1535. As suas últimas palavras teriam sido: "Bom servidor do rei, mas de Deus primeiro." Foi beatificado em 1886 e canonizado santo pela Igreja Católica em 1935.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

LITERATURA: DANTE: A DIVINA COMÉDIA

BIOGRAFIA:Dante
De nome completo Dante Alighieri, foi poeta, escritor, teórico literário, filósofo moralista e pensador político. Nasceu em 1265 no seio de uma família nobre de Florença, cidade onde cresceu e mais tarde desempenhou parte ativa nas lutas políticas que dividiam a cidade entre o partido dos Guelfos Brancos e o partido dos Gibelinos, chegando mesmo a assumir um cargo administrativo durante a vigência do seu partido, entre 1295 e 1301. No entanto, um ano depois, viu-se obrigado a fugir de Florença, em resultado da vitória do partido dos Gibelinos (apoiados pelo papa), vindo a ser mais tarde acolhido pela cidade de Ravenna. Dante casou com Gemma Donati, mas toda a sua vida e obra poética se inspiraram no amor espiritual que nutria por Beatriz Portinari (falecida em 1290), que tinha conhecido quando ambos eram crianças. Essa inspiração encontrou a sua expressão máxima na obra La Vita Nuova. Nesta obra são contadas, quer em verso, quer em prosa, todas as venturas e desventuras do relacionamento entre Dante e Beatriz, desde que se conheceram até à morte dela. Aliás, os textos em prosa servem sobretudo para interligar o que Dante escreveu ao longo de 10 anos (1283-1293): 25 sonetos, uma balada e cinco canções, uma delas incompleta pela morte de Beatriz. O desaparecimento físico da sua amada constitui um ponto de viragem na escrita de Dante. Influenciado pela poesia intelectual, mesmo filosófica, de Guido Guinizelli (seu contemporâneo), Dante abraça a filosofia, estudando profundamente os textos de Boécio e de Cícero, ao mesmo tempo que participa em discussões filosóficas realizadas em escolas religiosas, o que torna a sua escrita mais rigorosa, quase severa. Esta nova vertente literária foi refletida em Il Convivio, escrito entre 1304 e 1307, uma obra inicialmente projetada para quinze livros, dos quais apenas quatro foram concebidos. Duas ideias fundamentais se retiram desta obra: a defesa da utilização do vernáculo na literatura nacional e a maturação das ideias políticas do autor, através da defesa da tradição imperialista, mais concretamente do Império Romano. A primeira ideia é reflexo da influência do seu maior amigo, Guido Cavalcanti, acérrimo defensor da linguagem vernacular, com o qual Dante trava conhecimento no início da sua carreira literária. Esta tese sai reforçada com a obra De Vulgari Eloquentia, inteiramente dedicada ao estudo da língua, escrita entre 1305 e 1308, ou seja, praticamente em simultâneo com Il Convivio. A segunda não é mais que pôr em prática os conceitos teorizados por Bruneto Latini, considerado por Dante como o seu grande mentor. É, aliás, Latini quem induz em Dante o gosto pela política, o conceber o Homem como um ser social e político, fazendo a ligação entre os seus pensamentos políticos e o seu entendimento sobre a ambição humana. O seu envolvimento na política atinge o auge entre 1308 e 1310, quando o papa francês, Clemente V, proclama como rei dos romanos o Conde de Luxemburgo, Henrique. A ideia de haver novamente um imperador motiva-o a intensificar as suas intervenções políticas, já que a encarava como a concretização de um ideal supremo. Contudo, o recuo de Clemente V nos seus intentos provocou a maior desilusão política de Dante, levando-o a escrever uma das suas mais polémicas obras, De Monarchia (1313), onde elege como alvo dos seus argumentos o conceito de que toda a autoridade política emanava da figura do papa, procurando assim justificar o seu desejo de um império italiano onde, apesar da dualidade Providencial (felicidade na terra e felicidade eterna), as duas autoridades - espiritual e política - não se confundem, mas atuam paralelamente, ou seja, o espírito ilumina a ação governativa. Destaque, ainda, para duas obras: Le Rime (contemporânea do Il Convivio), composta por sonetos, canções, baladas e sextinas em que os temas de amor e de alegria louvam a ciência e a filosofia; e As Epístolas, Éclogas e Quaestio de aqua et terra, um conjunto de documentos escritos ao longo da sua vida que de certa forma espelham aspetos pessoais do autor, como o infortúnio de ser exilado ou o interesse perante a ciência astronómica e a própria física. Os anos de exílio revelaram-se para Dante difíceis de suportar, apesar de ter sido sempre acolhido solenemente pelas casas nobres das diferentes cidades por onde passou. Terá sido durante este período da sua vida (mais concretamente entre 1308 e 1321) que Dante escreveu a sua mais famosa obra, A Divina Comédia, onde um homem percorre os três estádios pós-morte: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. Dante morre pouco depois de concluir esta obra, tendo um funeral com todas as honras dado pelos mais ilustres intelectuais da época.
A OBRA:
Divina Comédia
Considerada a obra-prima de Dante Alighieri, A Divina Comédia é um poema escrito em tercetos, com três partes fundamentais (o Inferno, o Purgatório e o Paraíso), cada uma com 33 cantos, havendo mais um canto que é considerado a introdução à obra. A Comédia foi o título escolhido por Dante, opção que ele justificava, numa epístola endereçada a Cangrande della Scala, por a ação dramática, agitada e terrível no Inferno, tornar-se serena e jubilosa no Paraíso, para além do facto de a obra ser escrita em vernáculo e não em latim. A designação "Divina" só surge aquando da edição veneziana de 1555, por influência do estatuto que Dante obteve no seio do mundo artístico, o de "divino poeta".O enredo do poema consiste na viagem que um homem (consensualmente julgado como sendo o próprio Dante) realiza pelos três estádios pós-morte: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso, no ano de 1300, desde a Sexta-Feira Santa até alguns dias depois do domingo de Páscoa. Nesta viagem, Dante tem dois guias: o poeta Virgílio e Beatriz. Virgílio conduz Dante pelos nove círculos do Inferno, onde o poeta encontra várias personalidades famosas do seu tempo, como Filipo Argenti, Piero delle Vigne e Brunetto Latini. A primeira etapa da viagem, marcada pela tragédia e pelo sofrimento, constitui um ato necessário à reabilitação espiritual, onde Dante constata o quão prejudiciais eram as suas crenças terrenas. Guiada ainda por Virgílio, a viagem prossegue então pelo Purgatório, onde ocorre de facto o despertar espiritual de Dante que, ao reprimir a sua personalidade, ascende ao Paraíso Terrestre (o derradeiro dos nove níveis do Purgatório), local do tão esperado encontro com Beatriz, que o conduzirá à última etapa desta viagem: o Paraíso. Aqui, Dante atinge a sua realização espiritual, caminhando lado a lado com Beatriz através dos nove céus do Paraíso até chegar ao Empíreo, onde reside a glória de Deus.A Divina Comédia, como corolário de toda a vida literária de Dante, está carregada de simbolismo, por exemplo, o facto de o enredo começar na Sexta-feira Santa, ou seja, fazer coincidir a morte de Dante com a própria morte de Jesus Cristo; a escolha dos guias para a viagem (Virgílio, poeta do Império Romano e autor da descida de Eneias ao Inferno, era uma das maiores referências de Dante, o único capaz de lhe dar instrução moral e de constituir um autêntico emissário da graça divina; e Beatriz, que foi o maior amor da vida de Dante, constituiu uma autêntica referência e musa inspiradora ao longo da sua obra, sendo, portanto, a pessoa ideal para o conduzir ao Empíreo); e, por fim, o próprio facto de a peregrinação de Dante pelos três estádios ultramundanos refletir o período de exílio quase nómada do poeta.Saliente-se, ainda, que Dante insere na história os seus próprios ideais políticos, filosóficos, morais e históricos, sobretudo a partir do Purgatório, onde se torna uma personagem participativa, evoluindo da passividade que o caracterizava no Inferno. Neste sentido, Dante não só transmite uma imagem da época em que vive, como também abre caminho para que a obra se torne universal.O reconhecimento das qualidades únicas de A Divina Comédia não tardou e em 1373-74 Giovanni Boccaccio, após ter escrito a biografia do poeta, dava aulas que incidiam no estudo daquela obra, enquanto que por volta de 1400 já lhe tinham sido dedicados doze comentários detalhadamente elaborados por vários intelectuais. Ao longo dos séculos, esta obra ganhou um estatuto cada vez maior, ou por refletir, de uma maneira ou de outra, diferentes aspetos da sociedade, ou pelo facto de a sua arquitetura formal única e riqueza poética sobreviverem às diferentes escolas de arte.

LITERATURA: SHAKESPEARE: ROMEU E JULIETA

BIOGRAFIA: William Shakespeare
(Poeta e dramaturgo inglês)23/04/1564, Stratford on Avon 23/04/1616, Stratford on Avon
Um dos maiores dramaturgos de todos os tempos, William Shakespeare foi o terceiro filho do casal John e Mary. Teve uma vida sem maiores problemas financeiros até os 12 anos, quando o seu pai, que fabricava tintas, bolsas e luvas de couro, faliu. A partir daí, William Shakespeare começou a trabalhar para ajudar no sustento da família. Mesmo assim, não deixou de ler autores clássicos, novelas, contos e crônicas, que foram fundamentais na sua formação de poeta e dramaturgo. Em sua juventude, estudou latim e começou a escrever logo após o seu casamento com Anne Hathaway. Na época, o dramaturgo tinha 18 anos e a sua mulher, 26. Tiveram três filhos: Susanna e os gêmeos Judith e Hamnet, que morreu aos 11 anos. A mudança radical em sua vida aconteceu quando deixou a pequena Stratford on Avon e foi morar em Londres, cidade onde escreveu as suas maiores obras. Em 1592, com menos de 30 anos, Shakespeare já tinha o seu talento reconhecido no teatro, tendo redigido pelo menos duas peças: "A Comédia dos Erros" e "A Megera Domada". O seu prestígio aumentou ainda mais em 1594, quando começou a trabalhar para a companhia de teatro "The Lord Chamberlain's Men". A arte dramática do poeta pode ser dividida em três partes. Na primeira, compreendida entre os anos de 1590 e 1602, Shakespeare escreveu comédias alegres, dramas históricos e tragédias no estilo renascentista. A segunda fase, que vai até 1610, é caracterizada por tragédias grandiosas e comédias amargas, o autor está no seu auge produtivo. A última parte, que vai até a sua morte, é marcada basicamente pelo lançamento de peças que têm o final conciliatório. Sua primeira peça, "Tito Andrônico", escrita provavelmente em 1590, já revelava alguns dos elementos shakesperianos: O texto era uma tragédia repleta de assassinatos e violações. Toda a sua obra, escrita em 20 anos, está presente em palcos e telas de todo o mundo. Quase quatro séculos após a sua morte, William Shakespeare é um dos dramaturgos mais encenados no planeta. O autor inglês escreveu cerca de 40 peças, entre tragédias (Otelo, Romeu e Julieta, Rei Lear); dramas históricos (Henrique V, Ricardo III); e comédias (Muito Barulho por Nada, Sonhos de uma Noite de Verão). Antes de Shakespeare, nenhum outro dramaturgo ou poeta havia mostrado a natureza humana em toda a sua complexidade: a paixão de Romeu e Julieta, a sua obra mais conhecida, o ciúme cego de Otelo, a ambição de Macbeth. Shakespeare também deve ser um dos escritores mais citados no mundo. Mesmo quem nunca leu Hamlet certamente conhece a famosa frase: "Ser ou não ser, eis a questão". Freqüentemente, alguns poucos estudiosos atribuem a Francis Bacon (1561/1626) e a Christopher Marlowe (1564/1593) parte de sua obra. No entanto, os pesquisadores que desconfiam da produção do dramaturgo não conseguiram provar as suas teorias e a densa obra de Skakespeare sobrevive pela excelente qualidade poética. Suas peças aliam uma visão poética e refinada a um forte caráter popular. Nelas, os crimes, os incestos, as violações e as traições são ingredientes para o divertimento do público. Shakespeare escreveu também poemas e mais de 150 sonetos que expressam frustração, agitação, masoquismo e homossexualismo.
A OBRA: ROMEU E JULIETA
O enredo passa-se em Verona, Itália, por volta do ano 1500 e trata os amores de um casal de jovens (Romeu e Julieta), que apesar de serem provenientes de famílias rivais, se apaixonam um pelo outro. Nesta história as lutas de espada, o disfarce, os equívocos, a tragédia , o humor e a linguagem da paixão simbolizam, no seu conjunto, o amor verdadeiro. Duas poderosas famílias (os Montagues e os Capulet) são inimigas há muitos anos. O velho Capulet, pai de Julieta, dá uma grande festa para a qual convida todos os amigos da família. Como é evidente, a família dos Montagues não faz parte da lista dos convidados. Entretanto, como Romeu Montagues anda interessado em Rosaline, uma jovem que foi convidada para a festa e arranja um plano para a poder ver durante essa festa. Assim, Romeu entra disfarçado na casa dos inimigos da sua família. Já lá dentro, a sua atenção vai para Julieta, e não para Rosaline. Apaixona-se de imediato e fica muito desiludido quando sabe que Julieta é uma Capulet. Romeu também não passa despercebido a Julieta, mas ela não sabe que ele é um Montagues. Mais tarde, depois de descobrir que o jovem por quem está apaixonada é o filho da família inimiga, Julieta vai para a varanda e conta às estrelas que tem um amor proibido. Romeu, escondido nuns arbustos por baixo da varanda, ouve as confissões de Julieta e não resiste. Apresenta-se a Julieta e diz-lhe que também está apaixonado por ela. Com a ajuda de um amigo de Romeu ? Frei Lawrence-, Romeu e Julieta casam-se secretamente no dia seguinte. No dia do casamento dois amigos de Romeu, Benvolio e Mercutio, passeiam pelas ruas de Verona e encontram-se com Tybalt, primo de Julieta. Tybolt, que ouvira dizer que Romeu tinha estado presente na casa de seus tios, anda à procura deste para se vingar e discute com os amigos de Romeu. Entretanto Romeu aparece e faz perceber que não se quer meter em brigas. Porém, os seus amigos não percebem a atitude de Romeu e Mercuito resolve defender a honra do amigo, e começa um duelo com Tybalt. Mercuito cai por terra, morto. Romeu vinga o seu amigo matando Tybalt com um golpe de espada. Este golpe faz com que Romeu seja ainda mais odiado pelos Capulets. O príncipe de Verona expulsa Romeu da cidade, que se vê forçado a deixar Julieta, que sofre imenso com toda esta história. O pai de Julieta, que não sabia do seu casamento com Romeu, resolve casá-la com um jovem chamado Paris. Desesperada, Julieta pede ajuda a Frei Laurence, que a aconselha a concordar com o casamento. Diz-lhe que na manhã do casamento Julieta deverá beber uma poção que ele lhe vai preparar. A poção fará com que Julieta pareça morta e ela será levada para o jazigo de família dos Capulet. Então o Frei mandará Romeu ter com ela para a salvar. Julieta faz tudo o que o Frei a manda fazer e é deixada no jazigo, tal como estava previsto. Antes que o Frei possa falar com Romeu, este ouve a notícia da morte de Julieta. Desfeito de dor, Romeu compra um frasco de veneno e vai até ao jazigo onde se encontra Julieta para morrer ao lado da sua amada. À porta do jazigo encontra Paris e é forçado a lutar com ele, acabando por o matar, pois nada o poderá deter de se juntar a Julieta. Já dentro do jazigo, Romeu bebe o veneno e morre ao lado da sua amada. Momentos depois, Julieta acorda e vê a seu lado, o corpo morto de seu marido. O Frei entra e conta a Julieta o que se passou. Inesperadamente, Julieta pega no punhal de Romeu e mata-se, pois já não tem motivos para viver. A tragédia tem um grande impacto em ambas as famílias ( os Montagues e os Capulet). As duas famílias estão tão magoadas com a morte dos seus dois únicos descendentes, que decidem nunca mais lutar e fazem as pazes.

LITERATURA: CAMÕES: OS LUSÍADAS

BIOGRAFIA:
Luís de Camões(Poeta portugues)1525?-1580
Poeta português (1525?-1580). Luís Vaz de Camões é autor de Os Lusíadas , considerada uma das obras mais importantes da Literatura portuguesa. De família da pequena nobreza, ingressa no Exército da Coroa de Portugal e participa da guerra contra Ceuta, no Marrocos, durante a qual perde o olho direito. Boêmio, de volta a Lisboa freqüenta tanto os serões da nobreza como as noitadas populares. Embarca para a Índia em 1553 e para a China em 1556. Em 1560, o navio em que viaja naufraga na foz do Rio Mekong. Camões salva os originais de Os Lusíadas nadando até a terra com o manuscrito embaixo do braço. Nove anos depois, retorna a Lisboa com a intenção de publicar o poema, o que só acontece em 1572, graças a um financiamento concedido pelo rei Dom Sebastião. Os Lusíadas funde elementos épicos e líricos e sintetiza as principais marcas do Renascimento português: o humanismo e as expedições ultramarinas. Sua base narrativa é a expedição de Vasco da Gama em busca de um caminho marítimo para as Índias. Nela, mescla fatos da História portuguesa a intrigas dos deuses gregos, que procuram ajudar ou atrapalhar o navegador. Morre em Portugal, em absoluta pobreza.
A OBRA:
OS LUSÍADAS
Poema épico (1572) de Luís de Camões, de inspiração clássica (segundo a Eneida, de Virgílio) mas de manifesto saber contemporâneo, colhido na observação, é constituído por dez cantos compostos de décimas em decassílabos heróicos, e vive de uma contradição esteticamente harmonizada entre a acção das divindades pagãs (que ajudam ou prejudicam o progresso dos Portugueses na viagem marítima para a Índia, tema do livro) e a tutela do sentimento cristão e da expansão da fé, que anima um ardor de conquista e de possessão do mundo.
Vasco da Gama é o herói, Vénus a sua deusa protectora e Baco o adversário temido - mas a «lusa gente» chega à Índia, dá «novos mundos ao mundo», e o Poeta narra este empreendimento insigne alternando a fogosidade do entusiasmo e da crença com o desengano do reconhecimento da mesquinhez humana, «mísera sorte, estranha condição».
Escrito com mestria narrativa exemplar, o poema representa o exercício em perfeição da língua portuguesa, moderna, dúctil e rica em complexidade expressiva e em matizes líricos de excepção.

CINE HISTÓRIA: DECAMERON

Decameron (Decamerão ou Decameron: ou Príncipe Galeotto (título no Brasil) ou Decameron (título em Portugal) (vocábulo com origem no grego antigo: deca, "dez", hemeron, "dias", "jornadas") é uma coleção de cem novelas escritas por Giovanni Boccaccio entre 1348 e 1353.

A obra é considerada um marco literário na ruptura entre a moral medieval, em que se valorizava o amor espiritual, e o início do realismo, iniciando o registro dos valores terrenos, que veio redundar no humanismo; nele não mais o divino, mas a natureza, dita o móvel da conduta do homem. Foi escrito em dialeto toscano.
Com subtítulo de Príncipe Galeotto, o Decamerão marca com certa nitidez o período de transição vivido na Europa com o fim da Idade Média, após o advento da Peste Negra — aliás é neste período de terror que a narrativa se passa.

Dez jovens (sete moças e três rapazes) fogem das cidades tomadas pela pandemia que dizimava impiedosamente o continente europeu ao se recolherem a uma casa de campo. Aconselhados por Pampinéia, a mais velha entre as mulheres, estabaleceram que escolheriam um chefe para o grupo para cada dia. Sendo ela a primeira escolhida, definiu: "(...)Para os que vierem depois, o processo de escolha será o seguinte: quando se vier aproximando a hora do surgimento de Vênus, no céu, à tarde, o chefe será, à vez de cada um, escolhido por aquele, ou aquela, que estiver comandando durante o dia.(...)"

O Decamerão, rompendo com a mítica literatura medieval, é considerado o primeiro livro realista da literatura.

As circunstâncias descritas em Decamerão têm o senso medieval de numerologia e significados místicos. Por exemplo, é amplamente acreditado que as sete moças representam as Quatro Virtudes Cardinais (Prudência, Justiça, Fortaleza, Temperança) e as Três Virtudes Teologais (Fé, Esperança e Caridade). E mais além é suposto que os três homens representam a Divisão da Alma em Três Partes (Razão, Ira e Luxúria) da tradição helênica.

As moças tinham idade entre 18 e 28 anos, eram bonitas e de origem nobre, e seu comportamento honesto. Agrupadas por acaso na igreja de Santa Maria Novela, resolvem continuar juntas e logo surgem três moços, com idade a partir dos 25 anos, agradáveis e bem educados, que procuravam suas amadas, que eram 3 das moças ali reunidas.

CINE HISTÓRIA: RAINHA POR MIL DIAS

Anne of the Thousand Days
Rainha por mil dias (PT)
Inglaterra
1969 •
Produção
Género drama
Anne of the Thousand Days (em Portugal Rainha por mil dias; no Brasil Ana dos mil dias) é um filme de drama de época feito pela Hal Wallis Productions e distribuído pela Universal Pictures, estreou em 1969. Foi dirigido por Charles Jarrott e produzido por Hal B. Wallis.
O filme conta a história de Ana Bolena. O roteiro é uma adaptação cinematográfica de Bridget Boland, Hale John e Richard Sokolove da peça de 1948 por Maxwell Anderson; formato verso branco de Anderson foi mantido por apenas partes do roteiro, como o monólogo de Anne na Torre de Londres.
O filme é estrelado por Richard Burton como o Rei Henrique VIII de Inglaterra e Geneviève Bujold como Ana Bolena. Irene Papas interpreta Catarina de Aragão. Outros incluídos no elenco: Anthony Quayle, John Colicos, Michael Hordern, Katharine Blake, Peter Jeffrey, Joseph O'Conor, William Squire, Vernon Dobtcheff, Denis Quilley, Esmond Knight e TP McKenna. Elizabeth Taylor faz uma aparição breve e não creditada.

CINE HISTÓRIA: LUTHER

Luther é um filme alemão (diálogos em inglês e latim) de 2003 dirigido por Eric Till. No papel principal, Joseph Fiennes.
O filme cobre a vida do reformador alemão Martinho Lutero (1483–1546), desde que ele tornou-se um monge (1505) até a Confissão de Augsburgo (1530).
Foram feitos filmes semelhantes em 1928, 1964, 1965 e 1973.

Imprecisões históricas

No filme, Lutero refere-se a passagens da Bíblia pelo livro, capítulo e versículo. No entanto, a Bíblia não era dividida em versículos até 1546 (Pode-se presumir que isto foi feito tendo em vista que os telespectadores possam facilmente localizar o texto a que se refere Lutero.)
Albert de Mainz, é descrito como sendo arcebispo de dois territórios alemães antes de se tornar arcebispo de Mainz. Na vida real, ele era apenas arcebispo de Mainz, embora ele tenha sido bispo de outro território alemão, enquanto arcebispo de Mainz.
No filme Lutero diz que o V Concílio de Latrão contrariaria o IV Concílio de Latrão, pois um teria definido que fora da Igreja Católica não há salvação, mais outro admitiu que poderia haver salvação fora da Igreja, embora não fora de Cristo. Na vida real, estes concílios jamais se contradizeram e ambos afirmaram que "fora da Igreja Católica não há salvação", como pode ser observado no cânon 1 do IV de Latrão e na Sessão 11 do V de Latrão.

Durante a cena da Confissão de Augsburgo, todos os nobres, incluindo os príncipes eleitores levantam-se contra Carlos V, na vida real, a maioria dos príncipes ainda eram católicos. Apenas dois dos sete eleitores deveriam ter protestado, o margrave de Brandeburgo e o duque de Saxónia.
No filme, Frederico da Saxônia recebe a Rosa de Ouro como um suborno para entregar Lutero a Roma. Na vida real, ele foi premiado com o rosa antes de conhecer Lutero.
No filme Lutero defende que os suicidas sejam enterrados em cemitérios, tendo ele próprio escavado a cova de uma criança suicida. Na vida real tal fato nunca ocorreu e Lutero contrariamente ao que relatou o filme, defendia que os suicidas não tivessem o direito ao enterro.
O Papa Alexandre VI é dito ter tido cinco filhos. Na vida real, ele tinha mais do que isso (pelo menos dez).

CINE HISTÓRIA: A RAINHA MARGOT

A RAINHA MARGOT
Título original: La Reine Margot
Realizador: Patrice Chéreau
Actores: Isabelle Adjani, Daniel Auteuil, Jean-Hugues Anglade, Vincent Perez, Virna Lisi, Dominique Blanc, Pascal Greggory.
Origem: França / Itália / Alemanha
Ano: 1994
Duração: 160 minutos
A noite de 24 de Agosto de 1572 ficou conhecida como a Noite do Massacre de São Bartolomeu, em que milhares de protestantes foram assassinados em Paris. É neste clima de perseguição religiosa que, numa tentativa de conseguir a paz, é combinado o casamento entre Margot de Valois, filha do imaturo rei católico Carlos IX, e o rei huguenote Henrique de Navarra. Catarina de Medicis move-se nos bastidores coordenando uma política de intrigas, envenenamentos e instigação ao incesto. Algumas cenas do filme foram rodadas em Portugal.
'La Reine Margot' trailer


CINE HISTÓRIA: A PAIXÃO DE SHAKESPEARE

Shakespeare in Love ( A Paixão de Shakespeare (título em Portugal)) é um filme de 1998 dirigido por John Madden, co-produzido por Estados Unidos da América e Reino Unido, do gênero comédia romântica.
Sinopse
William Shakespeare precisa escrever uma nova peça de teatro, uma história de amor com fim trágico, mas está sofrendo um bloqueio e somente uma musa inspiradora poderá ajudá-lo. Ao se apaixonar por Lady Viola, ele volta a ter inspiração e escreve a peça Romeu e Julieta.
A Paixão de Shakespeare (1998)
Capa do filme A Paixão de Shakespeare
Título original:
Shakespeare in Love
Título no Brasil:
Shakespeare Apaixonado
Título em Portugal:
A Paixão de Shakespeare
Ano: 1998
Realizado por: John Madden
Argumento de:
- Marc Norman
- Tom Stoppard
Duração: 123 minutos
Genero: Comédia
País: Estados Unidos
Idioma: Inglês
Sinopse:
Londres, no final do século XVI. O jovem escritor William Shakespeare luta para acabar o seu último trabalho "Romeu e Ethel, a filha do pirata". Viola, uma jovem e rica admiradora do trabalho de Shakespeare, sonha em ser actriz, mas nesta época apenas os homens podiam representar.