Curso Científico - Humanístico Línguas e Humanidades--- Marc Bloch define a História como a “Ciência dos homens, no tempo” uma vez que estuda os homens, sua produção e suas relações sociais, políticas, económicas e culturais num determinado espaço e tempo.
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sábado, 14 de abril de 2012
quinta-feira, 5 de abril de 2012
PROGRESSOS NÁUTICOS E CARTOGRÁFICOS DOS SÉCULOS XV e XVI
Os principais progressos náuticos e cartográficos resultaram do aperfeiçoamento de técnicas muito antigas, difundidas por Árabes e Judeus:
1. A bússola ou agulha de marear, de origem chinesa, foi importada pelos Árabes, sendo usada na navegação por rumo (desde finais do século XII era usada para traçar linhas de rumo nas cartas-portulano).
2. O astrolábio, de origem grega, mas também difundido pelos Árabes, permitia, tal como o quadrante, fazer a navegação astronómica (orientada pela medição da altura dos astros).
3. A balestilha, inventada pelos Portugueses, media a altura dos astros, contribuindo, assim, para a navegação astronómica.
4. O leme montado no cadaste (peça de popa) permitia mudar de direção mais rapidamente.
5. A tábua quadrienal de declinação solar permitia a obtenção da latitude.
6. A caravela portuguesa tornou-se na embarcação ideal das viagens de exploração costeira, enquanto a nau e o galeão se impuseram nas viagens de longo curso.
7. Os guias náuticos e os roteiros resumiam os dados mais relevantes para a navegação (ventos, correntes, etc.)
8. As cartas-portulanos eram mapas onde se assinalavam os portos e as rotas de navegação obtidas por meio da bússola.
1. A bússola ou agulha de marear, de origem chinesa, foi importada pelos Árabes, sendo usada na navegação por rumo (desde finais do século XII era usada para traçar linhas de rumo nas cartas-portulano).
2. O astrolábio, de origem grega, mas também difundido pelos Árabes, permitia, tal como o quadrante, fazer a navegação astronómica (orientada pela medição da altura dos astros).
3. A balestilha, inventada pelos Portugueses, media a altura dos astros, contribuindo, assim, para a navegação astronómica.
4. O leme montado no cadaste (peça de popa) permitia mudar de direção mais rapidamente.
5. A tábua quadrienal de declinação solar permitia a obtenção da latitude.
6. A caravela portuguesa tornou-se na embarcação ideal das viagens de exploração costeira, enquanto a nau e o galeão se impuseram nas viagens de longo curso.
7. Os guias náuticos e os roteiros resumiam os dados mais relevantes para a navegação (ventos, correntes, etc.)
8. As cartas-portulanos eram mapas onde se assinalavam os portos e as rotas de navegação obtidas por meio da bússola.
terça-feira, 3 de abril de 2012
PEDRO NUNES
Pedro Nunes
Cosmógrafo e matemático português, nasceu em 1502, em Alcácer do Sal, e morreu em 1578, em Coimbra. A mais original das suas obras intitula-se De Crepusculis (1542), onde descreve a sua invenção conhecida como nónio.
Este invento é uma pequena régua que desliza ao longo de outra e permite avaliar frações da menor divisão desta última.
O nónio circular é uma pequena peça circular que desliza ao longo da circunferência de um círculo graduado e cuja construção e uso são análogos ao do nónio retilíneo.
Inventou também as linhas de rumo, mais tarde designadas loxodromias.
A obra científica de Pedro Nunes coloca-o entre os maiores matemáticos do seu século.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
GARCIA DA ORTA
Garcia de Orta
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| Garcia de Orta |
Médico e naturalista português, nasceu provavelmente em 1500, em Castelo de Vide, e faleceu em 1568, em Goa. Os seus pais, Leonor e Fernando de Orta, eram judeus refugiados de Espanha, movidos pela grande perseguição encetada pelos reis católicos espanhóis em 1492.
Depois de ter estudado Filosofia Natural, Medicina e Botânica em Salamanca e Alcalá de Henares, em Espanha, voltou, em 1523, a Castelo de Vide onde viria a exercer medicina. Dois anos depois, instalou-se em Lisboa onde se tornou médico do rei e conheceu o matemático Pedro Nunes, de quem se viria a tornar grande amigo. Por volta de 1530, ingressou, como professor de Filosofia, na Universidade de Coimbra.
Por um lado, devido ao seu desejo de conhecer o mundo, por outro, dadas as sua origens e temendo a perseguição da Inquisição, partiu, em 1534, para a Índia onde se tornou amigo de Luís de Camões. Íntimo e médico do vice-rei, instalou-se em Goa: foi-lhe dado o foro de Bombaim, exerceu clínica, prosperou como comerciante, casou, fundou um jardim botânico e um museu, até que, cerca de 30 anos depois, a Inquisição
foi introduzida na Índia.
Em Goa, reflexo do seu convívio com médicos árabes e hindus,
escreveu Colóquios dos Simples e Drogas e Cousas Medicinais da Índia (1563), obra mista de medicina, farmacologia e filosofia natural, que revolucionava os conhecimentos da velha Europa, valendo como reação contra o saber dos Antigos, como afirmação dos valores da experiência e das aquisições científico-naturais. Ainda assim, o livro foi autorizado a ser impresso pela Casa da Suplicação e pela Inquisição. O autor, entretanto, experimentou grandes dificuldades financeiras e viu várias pessoas da sua família devassadas pela fúria inquisitorial, inclusive uma irmã, Catarina, condenada à fogueira pelo crime de judaísmo. Em 1580, o Tribunal do Santo Ofício acabou por condená-lo post-mortem, também pelo crime de judaísmo, desenterrando e queimando os seus ossos.
Conhecendo inúmeras edições, traduções e adaptações ao longo dos séculos XVI, XVII e XVIII, os Colóquios dos Simples e Drogas e Cousas Medicinais da Índia constituem um dos maiores contributos de Portugal para o espírito científico e experimental do Renascimento.
BÚSSOLA
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| Bússola século XVI |
Na Europa a bússola só foi conhecida a partir do século XI, através dos árabes. No século XII aparecem referências à bússola em documentos escritos. Por esta altura a bússola era muito rudimentar e, no entanto, bastante engenhosa: tratava-se de uma agulha de ferro magnetizada pousada sobre uma palha que flutuava numa vasilha com água. A agulha era magnetizada, sempre que necessário, com magnetite. O italiano Flávio Gioia parece ter sido, embora não seja consensual a aceitação deste facto, quem integrou, no início do século XIV, o famoso desenho da rosa dos ventos na bússola.Data pelo menos do século XV o conhecimento da declinação, quer dizer, da diferença entre o norte magnético, indicado pela agulha, e o norte verdadeiro e, possivelmente, foi descoberta pelos portugueses. A declinação era verificada pelo confronto com a observação da Estrela Polar, quando no hemisfério norte, ou da Estrela Pé do Cruzeiro, quando no hemisfério sul, e a direção apontada pela bússola.
A simplicidade das primeiras bússolas manteve-se, com poucas alterações, ao longo de todos estes séculos. No século XX surgiu, entretanto, outro tipo de bússolas: as bússolas eletrónicas. Esta nova forma de agulhas permanece, contudo, sujeita ao desvio (a ação que o ferro exerce sobre a agulha, alterando a sua posição), tal como as antigas.
A invenção da bússola foi um dos acontecimentos mais importantes para a navegação e permitiu o advento dos descobrimentos levado a cabo pelos navegadores portugueses.
INSTRUMENTOS E TÉCNICAS DE NAVEGAÇÃO
A navegação marítima nos Descobrimentos portugueses consistia essencialmente em três tipos, quanto ao longo curso: de cabotagem, costeira e costeira internacional - termo moderno para enquadrar as viagens transoceânicas efetuadas entre o Atlântico e o Índico pelos navegadores portugueses. Tinha componentes de guerra e de comércio, que muitas vezes se confundiam num só navio. A cabotagem era, por razões de segurança, o tipo de navegação medieval por excelência: navegar à vista da costa entre dois portos ou localidades seguras. A aventura dos Descobrimentos portugueses ganhou notoriedade precisamente pelo facto das viagens de exploração se lançarem ao mar para regiões e águas desconhecidas, inseguras também, e cada vez mais durante longos períodos sem tocar no litoral, apesar de o conservar a distâncias seguras. Daí o aperfeiçoamento das caravelas de modo a poderem usufruir de uma maior autonomia de viagem. As viagens de longo curso eram por isso cada vez mais possíveis à medida que os Descobrimentos portugueses se aproximavam do século XVI, o século das travessias do Índico e das grandes viagens no Oriente, longe da vista de costa e em territórios e águas desconhecidos.
Daí que se tenham desenvolvido as técnicas de navegação, cada vez mais aptas para possibilitar aos navios navegarem em alto mar e com períodos sem vista de costa cada vez maiores ou mais frequentes. O vento contrário podia ser um obstáculo a esses progressos de navegação. Mas os europeus, em especial os portugueses, souberam capitalizar essa contrariedade a favor dos navios, com a navegação à bolina (ou bolinagem), isto é, aproveitando o vento oblíquo através da inclinação da vela usando a bolina (cabo que sustenta a vela, conferindo-lhe a obliquidade necessária para apanhar o vento). Esta técnica revelou-se fulcral, conhecidos os regimes e intensidade de ventos da costa africana, para a exploração desta zona e dos arquipélagos atlânticos da Madeira e dos Açores, deixando de ser o vento de bolina (contrário à marcha do navio) um problema e passando a ser aproveitável, evitando-se os ziguezagues das embarcações e busca de ventos favoráveis.
Os portugueses desenvolveram ainda uma outra técnica de navegação na primeira metade do século XV para contornar ventos e correntes no regresso da Guiné. Manobravam ao largo durante cerca de um a dois meses, sem vista de terra alguma, precisando de conhecer a localização e altura da Estrela Polar na sua passagem meridiana. Comparando essa altura com a que a estrela atingia Lisboa ou Lagos, facilmente deduziam o número de léguas que tinham que percorrer até chegarem ao porto de destino. É a "navegação por alturas", que compreende também o cálculo de determinação das latitudes, que se tornaram numa variante de evolução do cálculo a bordo das "alturas". Muitas obras de cartografia portuguesas e estrangeiras exemplificam estas "alturas" (que eram mais tarde já de oito e não apenas dois pontos) no século XVI. A comparação de alturas da estrela Polar em oito posições do seu círculo diurno aparente deu origem às "rodas". Pôde-se depois obter a latitude de um lugar a partir da sua altura, que exigia cálculos matemáticos e astronómicos específicos. A latitude passou depois a ser calculada com base na altura meridiana do Sol e da sua declinação no dia de observação, para o que se criaram tábuas de declinação solar. No Hemisfério Sul, todavia, e já que os portugueses por aí andaram desde cerca de 1470, dada a impossibilidade de se observar a Estrela Polar, foi esta substituída por outra estrela para se chegar à latitude. Apareceu a Estrela do Pé do Cruzeiro. Mas as regras do Cruzeiro do Sul não eram compatíveis com a do Norte, pelo que no século XVI os marinheiros começaram a recorrer à altura meridiana de qualquer estrela. Por falta de cronómetros, não se podia realizar o cálculo da longitude, só possível em meados do século XVIII.
Para esta navegação astronómica os portugueses, como outros europeus, recorreram a instrumentos de navegação árabes, como o astrolábio e o quadrante (um quarto de astrolábio munido de um fio de prumo), que aligeiraram e simplificaram. Inventaram ainda outros, como a balestilha, ou "bengala de Jacob" (para obter no mar a altura do sol e de outros astros), que não utiliza a graduação de um arco de circunferência mas um segmento deslizante ao longo de uma haste, com o olho do observador em linha reta com o astro observado. Mas os resultados variavam conforme o dia do ano, o que obrigava a correções, feitas de acordo com a inclinação do Solem cada um desses dias. Por isso os Portugueses fizeram tabelas de inclinação do Sol no século XV, impressas em Veneza depois de 1483. Eram preciosos instrumentos de navegação em alto-mar, tendo conhecido uma notável difusão, como outras tabelas que continham correções necessárias ao cálculo da latitude através da Estrela Polar.
Como só no século XVIII se começaram a medir corretamente as longitudes, os pilotos, habituados ao cálculo de latitudes, navegavam por estimativa. Usavam a bússola (formada por uma pequena agulha magnética e uma rosa dos ventos, utilizada já desde meados do século XIV) para definir a direção da rota, e para a velocidade da embarcação o odómetro, que aparece documentado a partir de 1577. Através de nós equidistantes numa corda presa a um lastro submerso, os marinheiros, deixando-os passar entre as mãos e com auxílio de um relógio de água, calculavam a velocidade do navio. Recorria-se também a cartas planas, quadradas ou retangulares, para a navegação por estimativa. Em 1569 criou-se um sistema de projeção da declinação solar, e com ele as cartas cilíndricas, muito importantes para os marinheiros ibéricos, que navegavam imenso nas águas tropicais. Na projeção de Mercator estas zonas tinham uma deformação menos acentuada que nas demais do planeta. O sistema de Mercator só conheceu uma grande difusão no século XVII, abrindo o caminho à chamada navegação loxodrómica (quando um navio segue constantemente o mesmo rumo de vento, cortando todos os meridianos no mesmo ângulo).
Daí que se tenham desenvolvido as técnicas de navegação, cada vez mais aptas para possibilitar aos navios navegarem em alto mar e com períodos sem vista de costa cada vez maiores ou mais frequentes. O vento contrário podia ser um obstáculo a esses progressos de navegação. Mas os europeus, em especial os portugueses, souberam capitalizar essa contrariedade a favor dos navios, com a navegação à bolina (ou bolinagem), isto é, aproveitando o vento oblíquo através da inclinação da vela usando a bolina (cabo que sustenta a vela, conferindo-lhe a obliquidade necessária para apanhar o vento). Esta técnica revelou-se fulcral, conhecidos os regimes e intensidade de ventos da costa africana, para a exploração desta zona e dos arquipélagos atlânticos da Madeira e dos Açores, deixando de ser o vento de bolina (contrário à marcha do navio) um problema e passando a ser aproveitável, evitando-se os ziguezagues das embarcações e busca de ventos favoráveis.
Os portugueses desenvolveram ainda uma outra técnica de navegação na primeira metade do século XV para contornar ventos e correntes no regresso da Guiné. Manobravam ao largo durante cerca de um a dois meses, sem vista de terra alguma, precisando de conhecer a localização e altura da Estrela Polar na sua passagem meridiana. Comparando essa altura com a que a estrela atingia Lisboa ou Lagos, facilmente deduziam o número de léguas que tinham que percorrer até chegarem ao porto de destino. É a "navegação por alturas", que compreende também o cálculo de determinação das latitudes, que se tornaram numa variante de evolução do cálculo a bordo das "alturas". Muitas obras de cartografia portuguesas e estrangeiras exemplificam estas "alturas" (que eram mais tarde já de oito e não apenas dois pontos) no século XVI. A comparação de alturas da estrela Polar em oito posições do seu círculo diurno aparente deu origem às "rodas". Pôde-se depois obter a latitude de um lugar a partir da sua altura, que exigia cálculos matemáticos e astronómicos específicos. A latitude passou depois a ser calculada com base na altura meridiana do Sol e da sua declinação no dia de observação, para o que se criaram tábuas de declinação solar. No Hemisfério Sul, todavia, e já que os portugueses por aí andaram desde cerca de 1470, dada a impossibilidade de se observar a Estrela Polar, foi esta substituída por outra estrela para se chegar à latitude. Apareceu a Estrela do Pé do Cruzeiro. Mas as regras do Cruzeiro do Sul não eram compatíveis com a do Norte, pelo que no século XVI os marinheiros começaram a recorrer à altura meridiana de qualquer estrela. Por falta de cronómetros, não se podia realizar o cálculo da longitude, só possível em meados do século XVIII.
Para esta navegação astronómica os portugueses, como outros europeus, recorreram a instrumentos de navegação árabes, como o astrolábio e o quadrante (um quarto de astrolábio munido de um fio de prumo), que aligeiraram e simplificaram. Inventaram ainda outros, como a balestilha, ou "bengala de Jacob" (para obter no mar a altura do sol e de outros astros), que não utiliza a graduação de um arco de circunferência mas um segmento deslizante ao longo de uma haste, com o olho do observador em linha reta com o astro observado. Mas os resultados variavam conforme o dia do ano, o que obrigava a correções, feitas de acordo com a inclinação do Solem cada um desses dias. Por isso os Portugueses fizeram tabelas de inclinação do Sol no século XV, impressas em Veneza depois de 1483. Eram preciosos instrumentos de navegação em alto-mar, tendo conhecido uma notável difusão, como outras tabelas que continham correções necessárias ao cálculo da latitude através da Estrela Polar.
Como só no século XVIII se começaram a medir corretamente as longitudes, os pilotos, habituados ao cálculo de latitudes, navegavam por estimativa. Usavam a bússola (formada por uma pequena agulha magnética e uma rosa dos ventos, utilizada já desde meados do século XIV) para definir a direção da rota, e para a velocidade da embarcação o odómetro, que aparece documentado a partir de 1577. Através de nós equidistantes numa corda presa a um lastro submerso, os marinheiros, deixando-os passar entre as mãos e com auxílio de um relógio de água, calculavam a velocidade do navio. Recorria-se também a cartas planas, quadradas ou retangulares, para a navegação por estimativa. Em 1569 criou-se um sistema de projeção da declinação solar, e com ele as cartas cilíndricas, muito importantes para os marinheiros ibéricos, que navegavam imenso nas águas tropicais. Na projeção de Mercator estas zonas tinham uma deformação menos acentuada que nas demais do planeta. O sistema de Mercator só conheceu uma grande difusão no século XVII, abrindo o caminho à chamada navegação loxodrómica (quando um navio segue constantemente o mesmo rumo de vento, cortando todos os meridianos no mesmo ângulo).
CARTOGRAFIA
A cartografia pode ser considerada como a "técnica de representar num plano, pelo desenho, uma parte ou a totalidade da Terra". Como esta é quase esférica, a cartografia criou convencionalismos de forma a poder cumprir o seu objeto científico. Existem assim três categorias de cartas produzidas na cartografia: as cartas equidistantes (respeitam-se as distâncias entre os lugares representados, depois de reduzidas a uma determinada escala); as cartas equivalentes (todas as áreas representadas numa dada proporção, mas sem manter distâncias e áreas); e as cartas conformes (conservam os ângulos, mas sem respeitarem as distâncias e as áreas).
As primeiras representações cartográficas encontram-se na Geografia de Cláudio Ptolomeu, do século II d. C., embora só no século XV tenha sido conhecida no ocidente. Não sendo pioneiro, pois o que se fez seguramente antes dele se perdeu, as suas projeções foram quase esquecidas na Idade Média, quando a cartografia pouco mais era do que esboços sem qualquer valor geográfico, com desenhos oblongos ou até circulares em representação da Terra a marcarem a época. A carta-portulano, ou carta náutica mediterrânica, que surgiu no século XIII, trouxe um influxo novo à ciência cartográfica medieval, revolucionando-a. Juntamente com o crescente conhecimento da obra de Ptolomeu e graças também à medição de latitudes aproximada dos lugares recém-descobertos pelos portugueses, principalmente, ao longo do século XV, bem como à "invenção" da imprensa de caracteres móveis, a cartografia conheceu um grande desenvolvimento, revendo-se e atualizando-se constantemente, até se chegar à nova conceção de representação plana da terra por Mercator, sem dúvida o momento de viragem para a cartografia científica. Retomando os protulanos, estes eram cartas geográficas provavelmente de origem genovesa, veneziana ou maiorquina em que os nomes dos portos, escritos perpendicularmente à costa, formam um desenho com a configuração dos países marítimos. De acordo com o maior historiador de sempre dos Descobrimentos portugueses, o saudoso Prof. Luís de Albuquerque, a "carta-portulano foi desenhada (...) a partir de distâncias estimadas pelos pilotos e dos rumos indicados pela bússola".
As maiores escolas de cartografia medievais foram as de Maiorca e da Catalunha, famosas precisamente pelos seus portulanos, que eram encomendados por todos os países da Europa Ocidental e Mediterrânica. Recorde-se aqui que Pedro IV de Aragão em 1354 ordenou aos capitães dos seus navios que tivessem sempre em cada um deles pelo menos duas dessas cartas marítimas, para além de não nos esquecermos também do célebre portulano catalão encomendado por Carlos V de França em 1375. os portulanos destinavam-se essencialmente à técnica de navegação dominante na Idade Média, a de cabotagem, à vista da costa portanto. Mas as viagens ao largo começavam já a aparecer também, graças a estes desenvolvimentos da cartografia.
Depois de Mercator, entretanto, tudo se modificou, aparecendo as cartas cilíndricas e cónicas, por exemplo, e a cartografia ganhou uma projeção imparável e cada vez mais dotada de exatidão e cientificidade indiscutíveis. Mas para o trabalho de Mercator ter surgido e para todo esse desenvolvimento cartográfico se ter registado, um feito há que é incontornável como grande condicionante: os Descobrimentos portugueses e também espanhóis e italianos, numa escala mais reduzida. A cartografia portuguesa surgiu cerca de setenta anos depois da aventura da Expansão ter começado, se a tomada de Ceuta for entendida como a data do seu começo (1415). Esta ideia, lançada por Charles Verlinden em 1985, atesta que a cartografia portuguesa até essa data não existia e que, por conseguinte, as cartas utilizadas eram feitas por cartógrafos estrangeiros ou em escolas fora de Portugal, o que não será custoso de acreditar. E mesmo as que se fizeram até fins do século XV não foram mais do que pouco mais do que uma mão cheia, se tantas, pois nem todas estão datadas... Curioso por isso de referir que a ciência cartográfica em Portugal não acompanhou o esforço de navegação (viagens, técnicas, instrumentos de orientação, etc.) e as explorações realizadas ao longo da costa africana ocidental. A qual recorde-se igualmente surge nessa época, até 1485, cartografada em cartas estrangeiras, como as de Grazioso Benincasa, Cristóforo Soligo Henricus Martellus Germanus, que cartografou c. 1489-90, por exemplo, as viagens de Diogo Cão a Angola e de Bartolomeu Dias ao Cabo da Boa Esperança. Citando uma vez mais Luís de Albuquerque, a política de sigilo não deveria ser assim tão hermética, muito pelo contrário, a avaliar por estas produções cartográficas, dotadas de rigor diga-se.
As cartas portuguesas do século XV são essencialmente de matriz maiorquina. Autores dessas cartas-portulanos (com alongamentos na costa africana, mas em tudo idênticas na técnica de desenho às da "escola de Maiorca"), salientem-se pelo menos os de Pedro Reinel (carta de 1485) e de Jorge de Aguiar (de 1492), para além do anónimo autor da "carta de Modena" (da mesma época, sensivelmente). Ter-se-á que esperar pelo século XVI, o século da "carreira da Índia", do Oriente, dos cheiros e riquezas de Goa e de outros lugares do Índico, para se assistir a um grande incremento da cartografia portuguesa. Era o fim também da cartografia ptolomaica, em desacordo com as representações das "novas" terras descobertas ou exploradas pelos portugueses. Aumentam as massas continentais e surge o emaranhado das ilhas da Insulíndia nas cartas portuguesas, mas sem ainda grandes inovações técnicas. Surgem também as escalas de latitudes nas cartas (com exceção do chamado planisfério de Cantino), devido à sua medição a bordo dos navios. A carta náutica estava no seu auge então, mas as imprecisões apontadas eram cada vez mais, críticas nem sempre feitas com rigor ou método científico. Daí que Pedro Nunes tenha defendido as cartas de marear. Surgiram as escalas oblíquas, como na carta de Pedro Reinel de c. 1504, para tentar corrigir erros de cálculo da deformação esférica da Terra.
A cartografia portuguesa quinhentista foi importante graças à amplitude de conhecimentos que proporcionou ao conhecimento geográfico da Terra, influenciando toda a produção cartográfica europeia da época. Os aperfeiçoamentos de representação de terras são evidentes e até rápidos. Cartógrafos famosos na Flandres ("escola" muito importante na segunda metade do século XVI), como Ortelius, depois de Waldseemueller e de Cavério, beberam da cartografia portuguesa quinhentista. Entre os séculos XV e XVII produziram-se em Portugal quase 300 cartas, o que comprova essa vitalidade da cartografia portuguesa na época dos Descobrimentos, mais fulgurante sem dúvida no século XVI, quando provavelmente terá sido a mais notável da Europa, contando com o concurso de inúmeros cartógrafos não só portugueses mas também centro-europeus e judeus, para além do apoio interdisciplinar de matemáticos e astrónomos, principalmente.
As primeiras representações cartográficas encontram-se na Geografia de Cláudio Ptolomeu, do século II d. C., embora só no século XV tenha sido conhecida no ocidente. Não sendo pioneiro, pois o que se fez seguramente antes dele se perdeu, as suas projeções foram quase esquecidas na Idade Média, quando a cartografia pouco mais era do que esboços sem qualquer valor geográfico, com desenhos oblongos ou até circulares em representação da Terra a marcarem a época. A carta-portulano, ou carta náutica mediterrânica, que surgiu no século XIII, trouxe um influxo novo à ciência cartográfica medieval, revolucionando-a. Juntamente com o crescente conhecimento da obra de Ptolomeu e graças também à medição de latitudes aproximada dos lugares recém-descobertos pelos portugueses, principalmente, ao longo do século XV, bem como à "invenção" da imprensa de caracteres móveis, a cartografia conheceu um grande desenvolvimento, revendo-se e atualizando-se constantemente, até se chegar à nova conceção de representação plana da terra por Mercator, sem dúvida o momento de viragem para a cartografia científica. Retomando os protulanos, estes eram cartas geográficas provavelmente de origem genovesa, veneziana ou maiorquina em que os nomes dos portos, escritos perpendicularmente à costa, formam um desenho com a configuração dos países marítimos. De acordo com o maior historiador de sempre dos Descobrimentos portugueses, o saudoso Prof. Luís de Albuquerque, a "carta-portulano foi desenhada (...) a partir de distâncias estimadas pelos pilotos e dos rumos indicados pela bússola".
As maiores escolas de cartografia medievais foram as de Maiorca e da Catalunha, famosas precisamente pelos seus portulanos, que eram encomendados por todos os países da Europa Ocidental e Mediterrânica. Recorde-se aqui que Pedro IV de Aragão em 1354 ordenou aos capitães dos seus navios que tivessem sempre em cada um deles pelo menos duas dessas cartas marítimas, para além de não nos esquecermos também do célebre portulano catalão encomendado por Carlos V de França em 1375. os portulanos destinavam-se essencialmente à técnica de navegação dominante na Idade Média, a de cabotagem, à vista da costa portanto. Mas as viagens ao largo começavam já a aparecer também, graças a estes desenvolvimentos da cartografia.
Depois de Mercator, entretanto, tudo se modificou, aparecendo as cartas cilíndricas e cónicas, por exemplo, e a cartografia ganhou uma projeção imparável e cada vez mais dotada de exatidão e cientificidade indiscutíveis. Mas para o trabalho de Mercator ter surgido e para todo esse desenvolvimento cartográfico se ter registado, um feito há que é incontornável como grande condicionante: os Descobrimentos portugueses e também espanhóis e italianos, numa escala mais reduzida. A cartografia portuguesa surgiu cerca de setenta anos depois da aventura da Expansão ter começado, se a tomada de Ceuta for entendida como a data do seu começo (1415). Esta ideia, lançada por Charles Verlinden em 1985, atesta que a cartografia portuguesa até essa data não existia e que, por conseguinte, as cartas utilizadas eram feitas por cartógrafos estrangeiros ou em escolas fora de Portugal, o que não será custoso de acreditar. E mesmo as que se fizeram até fins do século XV não foram mais do que pouco mais do que uma mão cheia, se tantas, pois nem todas estão datadas... Curioso por isso de referir que a ciência cartográfica em Portugal não acompanhou o esforço de navegação (viagens, técnicas, instrumentos de orientação, etc.) e as explorações realizadas ao longo da costa africana ocidental. A qual recorde-se igualmente surge nessa época, até 1485, cartografada em cartas estrangeiras, como as de Grazioso Benincasa, Cristóforo Soligo Henricus Martellus Germanus, que cartografou c. 1489-90, por exemplo, as viagens de Diogo Cão a Angola e de Bartolomeu Dias ao Cabo da Boa Esperança. Citando uma vez mais Luís de Albuquerque, a política de sigilo não deveria ser assim tão hermética, muito pelo contrário, a avaliar por estas produções cartográficas, dotadas de rigor diga-se.
As cartas portuguesas do século XV são essencialmente de matriz maiorquina. Autores dessas cartas-portulanos (com alongamentos na costa africana, mas em tudo idênticas na técnica de desenho às da "escola de Maiorca"), salientem-se pelo menos os de Pedro Reinel (carta de 1485) e de Jorge de Aguiar (de 1492), para além do anónimo autor da "carta de Modena" (da mesma época, sensivelmente). Ter-se-á que esperar pelo século XVI, o século da "carreira da Índia", do Oriente, dos cheiros e riquezas de Goa e de outros lugares do Índico, para se assistir a um grande incremento da cartografia portuguesa. Era o fim também da cartografia ptolomaica, em desacordo com as representações das "novas" terras descobertas ou exploradas pelos portugueses. Aumentam as massas continentais e surge o emaranhado das ilhas da Insulíndia nas cartas portuguesas, mas sem ainda grandes inovações técnicas. Surgem também as escalas de latitudes nas cartas (com exceção do chamado planisfério de Cantino), devido à sua medição a bordo dos navios. A carta náutica estava no seu auge então, mas as imprecisões apontadas eram cada vez mais, críticas nem sempre feitas com rigor ou método científico. Daí que Pedro Nunes tenha defendido as cartas de marear. Surgiram as escalas oblíquas, como na carta de Pedro Reinel de c. 1504, para tentar corrigir erros de cálculo da deformação esférica da Terra.
A cartografia portuguesa quinhentista foi importante graças à amplitude de conhecimentos que proporcionou ao conhecimento geográfico da Terra, influenciando toda a produção cartográfica europeia da época. Os aperfeiçoamentos de representação de terras são evidentes e até rápidos. Cartógrafos famosos na Flandres ("escola" muito importante na segunda metade do século XVI), como Ortelius, depois de Waldseemueller e de Cavério, beberam da cartografia portuguesa quinhentista. Entre os séculos XV e XVII produziram-se em Portugal quase 300 cartas, o que comprova essa vitalidade da cartografia portuguesa na época dos Descobrimentos, mais fulgurante sem dúvida no século XVI, quando provavelmente terá sido a mais notável da Europa, contando com o concurso de inúmeros cartógrafos não só portugueses mas também centro-europeus e judeus, para além do apoio interdisciplinar de matemáticos e astrónomos, principalmente.
EXPERIENCIALISMO
O experiencialismo, princípio condensado na frase de Duarte Pacheco "a experiência é a mãe de todas as coisas",emergiu na época renascentista, altura em que o Humanismo obrigou à descoberta das realidades relacionadas com o Homem e o seu contexto. Este experiencialismo devido ao estabelecimento de uma mentalidade crítica foi, no início,apenas uma ilustração, comprovação ou negação de conhecimentos aferidos por especulação ou racionalidade, e somente com o passar do tempo se tornou em si próprio produtor de saber.
A adoção da Matemática como linguagem universal que servisse de fundamento e documento de grande parte do saber resultante da experiência foi um dos fatores fundamentais desta época.
O pragmatismo e a experiência tiveram em Portugal um papel preponderante em plena época de Descobrimentos, uma vez que o confronto com novas realidades permitiu verificar a verdade ou falsidade de conceitos até então tidos como certos por não haver provas que os contrariassem. Assim, o experiencialismo contribuiu para desmistificar certas ideias e para a produção de tratados sobre os temas mais diversos observados na primeira pessoa: botânica, geografia, cartografia, cosmografia, medicina, física, química e fauna, entre outros.
A adoção da Matemática como linguagem universal que servisse de fundamento e documento de grande parte do saber resultante da experiência foi um dos fatores fundamentais desta época.
O pragmatismo e a experiência tiveram em Portugal um papel preponderante em plena época de Descobrimentos, uma vez que o confronto com novas realidades permitiu verificar a verdade ou falsidade de conceitos até então tidos como certos por não haver provas que os contrariassem. Assim, o experiencialismo contribuiu para desmistificar certas ideias e para a produção de tratados sobre os temas mais diversos observados na primeira pessoa: botânica, geografia, cartografia, cosmografia, medicina, física, química e fauna, entre outros.
DUARTE PACHECO PEREIRA
Militar e cosmógrafo português, Duarte Pacheco Pereira nasceu por volta de 1460 e morreu em 1533.Realizou algumas viagens à costa da Guiné, sob as ordens de D. João II.
Depois, a sua competência em matéria de geografia e de cosmografia, assim como a sua experiência de navegador, levaram-no a figurar entre os membros da delegação portuguesa encarregada de estabelecer, com os castelhanos, os termos do Tratado de Tordesilhas, em 1494. D. Manuel I, em 1498, encarregou-o de uma expedição relacionada com a demarcação da linha estabelecida pelo mesmo tratado, o que terá constituído um passo preparatório do descobrimento do Brasil. Aliás, Pacheco Pereira acompanharia Pedro Álvares Cabral na viagem de 1500. Depois de várias outras viagens, nomeadamente à Índia,exerceu o cargo de capitão de S. Jorge da Mina entre 1519 e 1522, altura em que regressou a Lisboa.No seu livro Esmeraldo de Situ Orbis, deixado incompleto, revela-se um dos melhores representantes da escola náutica portuguesa,ao mesmo tempo que, no espírito desassombrado de um verdadeiro cientista, afirma o primado da experiência como fonte do conhecimento, contra o saber livresco tradicionalmente aceite. Era, na verdade, um homem que se sabia num momento de viragem da cultura, em que a Europa tomava consciência de um vasto conjunto de novas realidades naturais e humanas, e que assumia positivamente as exigências que essas novas realidades faziam ao pensamento do seu tempo.
Depois, a sua competência em matéria de geografia e de cosmografia, assim como a sua experiência de navegador, levaram-no a figurar entre os membros da delegação portuguesa encarregada de estabelecer, com os castelhanos, os termos do Tratado de Tordesilhas, em 1494. D. Manuel I, em 1498, encarregou-o de uma expedição relacionada com a demarcação da linha estabelecida pelo mesmo tratado, o que terá constituído um passo preparatório do descobrimento do Brasil. Aliás, Pacheco Pereira acompanharia Pedro Álvares Cabral na viagem de 1500. Depois de várias outras viagens, nomeadamente à Índia,exerceu o cargo de capitão de S. Jorge da Mina entre 1519 e 1522, altura em que regressou a Lisboa.No seu livro Esmeraldo de Situ Orbis, deixado incompleto, revela-se um dos melhores representantes da escola náutica portuguesa,ao mesmo tempo que, no espírito desassombrado de um verdadeiro cientista, afirma o primado da experiência como fonte do conhecimento, contra o saber livresco tradicionalmente aceite. Era, na verdade, um homem que se sabia num momento de viragem da cultura, em que a Europa tomava consciência de um vasto conjunto de novas realidades naturais e humanas, e que assumia positivamente as exigências que essas novas realidades faziam ao pensamento do seu tempo.
HELIOCENTRISMO
O Sol é objeto de culto e adoração desde as civilizações mais antigas (com destaque para o Egito, onde assumia a divindade de Rá), entendido em muitas delas como algo que morria todas as noites e renascia na manhã seguinte. Este fascínio pelo astro-rei persiste mesmo nas civilizações mais avançadas. Na Grécia Clássica, aparecem as primeiras referências a conceções cosmológicas que vão no sentido da teoria mais tarde formulada categoricamente por Copérnico. Philolau, filósofo do século V a. C., e talvez Hicetas de Siracusa, um século depois, supuseram que a Terraera uma esfera girando diariamente à volta de um "fogo central" - o Sol. A primeira proposição concreta sobre a centralidade solar é de Aristarco de Samos, no século III a. C. Todavia, estas ideias, a par da conceção dos Pitagóricos acerca da esfericidade da Terra e da sua rotação em torno de si própria, não vingaram, sendo completamente esquecidas pelo triunfo do geocentrismo de Cláudio Ptolomeu de Alexandria, do século II d. C., que, influenciado peloaristotelismo, concebe no Almagesto a teoria da imobilidade da Terra, rodeada de esferas transparentes girando à suavolta, como o Sol e outros planetas.Esta teoria será aceite e interiorizada como intangível pela Cristandade medieval, enquadrada na filosofia escolástica,defendida por S. Tomás de Aquino no século XIII, que adaptou o geocentrismo às conceções doutrinais do Cristianismo.Em linhas gerais, a Idade Média concebia o Universo como um conjunto de esferas em movimento, em cujo centro estava a Terra, imóvel. Concebia-se, pois, o Universo fechado, finito, com a Humanidade pecadora num lugar entre Deus, no alto, e os demónios, mais abaixo. Profundamente arreigado na consciência coletiva do povo cristão, o geocentrismo dominará as mentalidades, em termos cosmológicos, até ao século XVI. Antes, porém, no século XV,Nicolau de Cusa defende uma conceção diferente, avançando com a possibilidade do movimento da Terra e a ideia deum Universo infinito ou indefinido. Esta teoria não influenciará o mundo científico do tempo, já que os grandesastrónomos, como Johannes Muller (Regiomontanus) ou J. Beurbach, se manterão fiéis a Ptolomeu. Apenas no séculoXVI as teses de Cusa ressurgirão, ainda que o primeiro grande seguidor, Giordano Bruno, tenha acabado na fogueira inquisitorial.É neste contexto que aparece a teoria de Copérnico, que consiste na afirmação de que o Sol ocupa o centro do Universo; que a Lua gira em redor da Terra; que esta, tal como os outros planetas, descreve movimentos em torno do Sol; que os astros descrevem órbitas circulares e exercem atração recíproca. Ao mesmo tempo defende que a Terra gira em torno de si própria, em ciclos com a duração de 24 horas. Ainda que boa parte do mundo científico assimile e aceite esta teoria, muitos são os que a rejeitam ou dela desconfiam, nomeadamente os humanistas que a acusam de retirar ao Homem a centralidade universal.
A Igreja, num momento de divisão provocado pela Reforma e às portas do Concílio de Trento, rejeita - com uma veemência inusitada - a teoria heliocêntrica, que considera secundarizadora de Deus, para além de racional, empírica e contrária às Escrituras (pelas quais Deus criou tudo à sua imagem, inclusive o céu e a Terra, o Sol e os planetas, a Ele subordinados).Nos séculos XVI e XVII, os astrónomos aceitam cada vez mais a teoria de Copérnico, deixando de a considerar como mera hipótese. Tycho Brahe,aproveitando a conceção copernicana, dá um carácter sistemático à Astronomia, abrindo caminho, com suas observações, ao trabalho de Kepler, que em 1609 demonstra cientificamente a validade da teoria heliocentrista. Galileu,com suas observações e cálculos astronómicos (inventa o "telescópio"), enriquece ainda mais a teoria de Copérnico.Desde o astrónomo polaco e principalmente com os seus seguidores, entre os quais Newton, a ciência - no caso, a Astronomia e a teoria heliocentrista - autonomiza-se e desliga-se da Filosofia, ainda amplamente ligada, por seu lado, à religião.
O heliocentrismo concebe, pois, o Universo independente de Deus, como um sistema autónomo,explicando-se por si próprio e através de leis testadas pela experiência e formuladas matematicamente, deslocando-seo centro de gravitação da Terra para o Sol.
A Igreja, num momento de divisão provocado pela Reforma e às portas do Concílio de Trento, rejeita - com uma veemência inusitada - a teoria heliocêntrica, que considera secundarizadora de Deus, para além de racional, empírica e contrária às Escrituras (pelas quais Deus criou tudo à sua imagem, inclusive o céu e a Terra, o Sol e os planetas, a Ele subordinados).Nos séculos XVI e XVII, os astrónomos aceitam cada vez mais a teoria de Copérnico, deixando de a considerar como mera hipótese. Tycho Brahe,aproveitando a conceção copernicana, dá um carácter sistemático à Astronomia, abrindo caminho, com suas observações, ao trabalho de Kepler, que em 1609 demonstra cientificamente a validade da teoria heliocentrista. Galileu,com suas observações e cálculos astronómicos (inventa o "telescópio"), enriquece ainda mais a teoria de Copérnico.Desde o astrónomo polaco e principalmente com os seus seguidores, entre os quais Newton, a ciência - no caso, a Astronomia e a teoria heliocentrista - autonomiza-se e desliga-se da Filosofia, ainda amplamente ligada, por seu lado, à religião.
O heliocentrismo concebe, pois, o Universo independente de Deus, como um sistema autónomo,explicando-se por si próprio e através de leis testadas pela experiência e formuladas matematicamente, deslocando-seo centro de gravitação da Terra para o Sol.
GALILEU GALILEI
Galileu Galilei
Matemático, astrónomo e físico italiano, Galileu nasceu a 15 de fevereiro de 1564, em Pisa, e morreu a 8 de janeiro de 1642, em Arcetri, uma localidade perto de Florença.É considerado o fundador do método experimental. Descobriu a lei da aceleração uniforme da queda dos corpos e a lei do isocronismo das pequenas oscilações do pêndulo, entre outras, tendo conseguido traduzi-las matematicamente.Publicou a obra Tratado das Esferas.Tendo ouvido falar da invenção do telescópio, Galileu desenvolveu um método de ajuste de lentes que lhe permitiu construir e usar esse instrumento na observação astronómica. Graças a essa adaptação, constatou que a superfície da Lua não era plana, como se supunha, mas irregular, observou que a Via Láctea era composta de estrelas, e descobriu e nomeou os satélites de Júpiter.As observações que publicou em Siderius Nuncius foram muito criticadas pelos astrónomos ligados às ideias de Cláudio Ptolomeu. Galileu abraçou publicamente a teoria copernicana de um universo heliocêntrico e de uma Terra móvel, o que lhe valeu numerosas críticas, nomeadamente por tais noções serem contrárias àquelas presentes na Bíblia.
Por esse motivo, Galileu foi julgado e condenado em 1633, e teve de abjurar perante a Inquisição.
Matemático, astrónomo e físico italiano, Galileu nasceu a 15 de fevereiro de 1564, em Pisa, e morreu a 8 de janeiro de 1642, em Arcetri, uma localidade perto de Florença.É considerado o fundador do método experimental. Descobriu a lei da aceleração uniforme da queda dos corpos e a lei do isocronismo das pequenas oscilações do pêndulo, entre outras, tendo conseguido traduzi-las matematicamente.Publicou a obra Tratado das Esferas.Tendo ouvido falar da invenção do telescópio, Galileu desenvolveu um método de ajuste de lentes que lhe permitiu construir e usar esse instrumento na observação astronómica. Graças a essa adaptação, constatou que a superfície da Lua não era plana, como se supunha, mas irregular, observou que a Via Láctea era composta de estrelas, e descobriu e nomeou os satélites de Júpiter.As observações que publicou em Siderius Nuncius foram muito criticadas pelos astrónomos ligados às ideias de Cláudio Ptolomeu. Galileu abraçou publicamente a teoria copernicana de um universo heliocêntrico e de uma Terra móvel, o que lhe valeu numerosas críticas, nomeadamente por tais noções serem contrárias àquelas presentes na Bíblia.Por esse motivo, Galileu foi julgado e condenado em 1633, e teve de abjurar perante a Inquisição.
NICOLAU COPÉRNICO
Nicolau Copérnico
Astrónomo polaco, nasceu em 1473, em Torun (Polónia), e morreu em 1543, em Frauenburg, tendo criado nesta cidadeum observatório astronómico (denominado Curia Copernica). Era filho de um abastado mercador e estudou matemáticae astronomia com Brudzewo na Universidade de Cracóvia. Depois destes estudos foi para Itália, onde lecionoumatemática entre os anos de 1496 e de 1501 em Bolonha e em Roma. Em 1504 doutorou-se em medicina em Ferrara,tendo depois regressado à Polónia. Entre 1505 e 1611 viveu no castelo de Heilsberg com o seu tio e entre 1517 e 1522dedicou-se a atividades diversas que se estenderam da administração de propriedades à representação política.Copérnico demonstrou a existência de dois movimentos dos planetas (sobre si mesmos e em torno do Sol). Algunsmeses antes de morrer, saiu das prensas de Nuremberga o seu célebre trabalho Das Revoluções dos Corpos Celestes(ou De revolutionibus orbium coelestium libri VI), tendo-o dedicado ao papa Paulo III. Copérnico acreditava que o Sol,e não a Terra, estava no centro do Sistema Solar, opondo-se assim às doutrinas sustentadas pela Igreja do seu tempoa à Física de Aristóteles, por ela sustentada. Esta obra foi contudo salvaguardada inicialmente pelo prefácio de AndreasOsiander, que dizia ser o conteúdo apenas uma exposição de um método matemático que poderia auxiliar no cálculo dasposições planetárias, que poderia ser falível, e não perante uma teoria incontestável. Durante trinta anos desenvolveuestudos sobre hipóteses segundo as quais a rotação e o movimento orbital da Terra seriam responsáveis pelomovimento aparente dos outros corpos celestes. Os problemas com a Igreja Católica advieram das ilações de carizfilosófico retiradas por Giordano Bruno, um antigo frade dominicano queimado pela heresia panteísta dos seuspensamentos. Outra obra relevante deste astrónomo é a Dissertatio de optima monetae cudendade ratione, de 1526.
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| Nicolau Copérnico, pintura da escola de Hans Holbein. Musée de I'Observatoire de Paris. |
CONTEXTUALIZAÇÃO
CONTEXTUALIZAÇÃO
UNIDADE 2: O ALARGAMENTO DO CONHECIMENTO DO MUNDONos séculos XV e XVI, as viagens transoceânicas dos Portugueses alargam o conhecimento do Mundo. Desvendam novas terras, novos mares, novas gentes, novos astros; revelam floras e faunas desconhecidas; conduzem ao aperfeiçoamento das técnicas náuticas; repercutem-se numa nova representação cartográfica da Terra.
Fundados na observação e no contacto direto com as realidades, que descrevem rigorosa e pormenorizadamente, os novos conhecimentos da Natureza e do Mundo desacreditam as opiniões dos Antigos. A experiência, madre das cousas, eleva-se a autoridade e fonte do saber.
O experiencialismo, nome dado a esse novo saber, não é, porém, ainda ciência. Quando a reflexão matemática o completar, o método científico define-se. Um exemplo da sua aplicação ocorre na Astronomia, conduzindo à revolução das conceções cosmológicas.
quarta-feira, 28 de março de 2012
CONCEITOS: MÓDULO 3: UNIDADE 2: O ALARGAMENTO DO CONHECIMENTO DO MUNDO
NAVEGAÇÃO ASTRONÓMICA: Técnica de orientação em mar alto, que utiliza como referência a medição da altura dos astros no firmamento (de dia, as declinações solares; de noite, as das estrelas mais visíveis, como a Estrela Polar no hemisfério norte e o Cruzeiro do Sul, no hemisfério sul).
CARTOGRAFIA: Ciência (e arte) de fazer mapas: representação gráfica, bidimensional e convencional de toda ou de parte da superfície da Terra, anotando contornos e relevos.
EXPERIENCIALISMO: Processo de conhecimento que valoriza as experiências vividas (conhecimento empírico) e as regras do bom senso, sobre a reflexão e a racionalização puramente teóricas.
MENTALIDADE QUANTITATIVA: Forma de pensar e de agir influenciada pela ideia da quantidade e do número. Aparece ligada ao desenvolvimento comercial e científico de finais da Idade Média europeia.
REVOLUÇÃO COPERNICIANA: Alteração das conceções cosmológicas dos Europeus a partir das teses de Copérnico, que defendiam uma conceção cosmológica heliocêntrica, e não geocêntrica como afirmava a cosmografia de Ptolomeu, tradicionalmente aceite.
CARTOGRAFIA: Ciência (e arte) de fazer mapas: representação gráfica, bidimensional e convencional de toda ou de parte da superfície da Terra, anotando contornos e relevos.
EXPERIENCIALISMO: Processo de conhecimento que valoriza as experiências vividas (conhecimento empírico) e as regras do bom senso, sobre a reflexão e a racionalização puramente teóricas.
MENTALIDADE QUANTITATIVA: Forma de pensar e de agir influenciada pela ideia da quantidade e do número. Aparece ligada ao desenvolvimento comercial e científico de finais da Idade Média europeia.
REVOLUÇÃO COPERNICIANA: Alteração das conceções cosmológicas dos Europeus a partir das teses de Copérnico, que defendiam uma conceção cosmológica heliocêntrica, e não geocêntrica como afirmava a cosmografia de Ptolomeu, tradicionalmente aceite.
domingo, 16 de outubro de 2011
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