quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A RECONQUISTA

PORTUGAL NO SÉCULO XIII
Desde a morte de D. Afonso Henriques, em 1185, até meio do século XIII, os reis portugueses continuaram a combater os mouros e a alargar o território para sul. Esta luta foi feita de avanços e recuos, como podes verificar nos mapas. Só em 1249, no reinado de D. Afonso III, se deu a expulsão definitiva dos mouros, com a conquista do Algarve.
Em 1297, estabelecem-se as fronteiras definitivas de Portugal no Tratado de Alcanizes.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

CIDADE MEDIEVAL

Cidade Medieval
As cidades medievais - de entre os séculos XI e XV - dividem-se em diversas categorias: - as cidades de génese romana, que podem ter sido abandonadas em determinada época e depois reocupadas ou ainda, no declínio do Império Romano do Ocidente, ter decrescido; - as cidades que evoluíram a partir de aldeias; - as que têm na sua base um núcleo militar e que foram aceitando e implementando o comércio, chamadas normalmente de burgos; - as cidades novas; - e as denominadas cidades bastide, que surgiram no País de Gales, em Inglaterra e em França e se desenvolvem à volta de um castelo. Somente a partir do século X a Europa começou a atingir uma certa estabilidade económica, comercial e política que permitiu o crescimento das cidades que tinham entrado em declínio após a queda do Império e o desenvolvimento dos burgos, sendo que o século XIII é usualmente considerado como aquele que mais propiciou a vida e a evolução da cidade. As tipologias variam de cidade para cidade, pois algumas, sobretudo as que datam do período romano, correspondem a um planeamento urbano em forma de retícula, enquanto que outras, resultantes de adaptações e evoluções, apresentam uma estrutura muito mais caótica, de crescimento orgânico e descontrolado. Existem, contudo, estruturas coincidentes em quase todas elas, como, por exemplo, as muralhas, os edifícios e jardins, os circuitos viários, o mercado e a igreja. As muralhas, para além de servirem de defesa, funcionavam também como portagem ao comércio, e, como eram barreiras físicas ao crescimento urbano, tinham de ser sucessivamente criadas novas cinturas, como aconteceu, por exemplo, na cidade de Florença. As ruas, que começaram a ser pavimentadas e por onde circulavam bestas de carga e pessoas, revestiam-se de importância especial por ligarem todos os sítios onde se comerciava, que era praticamente em toda a cidade. Ao lado das ruas cresciam os edifícios, sobretudo em altura e muito juntos, uma vez que o espaço confinante com a via era social e comercialmente valorizado. A praça do mercado situava-se normalmente no centro da urbe ou junto à rua principal, e encontrava-se rodeada de edifícios de cota mais ou menos igual, com galerias por baixo. Esta praça podia ter diversas formas, desde a triangular à oval e à quadrada. Em frente à igreja situava-se igualmente uma praça (por vezes confinante com a do mercado), que se revestia de importância particular por ser lá que se reuniam, em convívio, os fiéis antes e depois da missa, e onde eram também deixados os cavalos dos não residentes.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sociedade Medieval Portuguesa

Ainda que não se possa falar de feudalismo em Portugal no seu sentido mais acabado como noutros países além-Pirenéus, não se poderá deixar de classificar de "feudal" a sociedade medieval portuguesa. Se o não era na plenitude, era-o estruturalmente e em termos teóricos. No plano estrutural, compunha-se essencialmente dos três grandes segmentos típicos da sociedade feudal: nobreza, clero e povo, englobando também as minorias étnicas (Judeus, Muçulmanos e estrangeiros). Por outro lado, a sociedade medieval portuguesa apresentava também formas feudais típicas, bipolarizadas pela existência dos senhores e dos trabalhadores, estes muitas vezes reduzidos à servidão.Os senhorios eram de dois tipos, essencialmente: laicos (honras e reguengos) e eclesiásticos (coutos). Os proprietários destes senhorios (os senhores) detinham a autoridade plena e jurisprudência própria nos seus domínios e servidores, assumindo-se como autênticos poderes locais quase sempre em rota de colisão com as pretensões centralizadoras dos monarcas. Estes tinham também os seus próprios senhorios, os reguengos, com servos e trabalhadores próprios.Quanto aos trabalhadores, estes tinham várias categorias, que se agrupavam em dois tipos essenciais: os livres e os não-livres.Os não-livres eram compostos pelos escravos, muitas vezes "mouros" ou seus descendentes, que ao longo de toda a Idade Média pós-Reconquista Cristã existiram, e também pelos servos. Estes eram numerosos e estavam ligados, por costume e tradição, à terra e ao detentor da mesma, não a podendo deixar mas também dela não podendo ser expulsos. Pagavam rendas anuais e tributos, para além de prestarem serviços decorrentes da sua condição, quase sempre miserável. Para além destes servos rurais (muitos dos quais se conseguem libertar do seu estatuto servil com a Reconquista) existiam outros congéneres nas casas e castelos senhoriais, entregues a tarefas domésticas e artesanais e com laços mais pessoais com os seus senhores. Coexistiam com os trabalhadores livres do senhor (criados caseiros).No que concerne aos livres, estes agrupavam os trabalhadores rurais, artífices ou os referidos criados domésticos. Tinham liberdade na medida em que podiam dispor da sua pessoa e sair dos senhorios onde trabalhavam. Os laços para com os senhores manifestavam-se nos contratos de arrendamento ou trabalho assalariado. Economicamente, estavam numa situação idêntica os servos. Contudo, contrariamente a estes, podiam ser despedidos ou expulsos das terras que trabalhavam ou das casas em que viviam, embora gozando do privilégio de poder adquirir esse tipo de bens imóveis sempre que pudessem. Sempre que quisessem também podiam ir para os concelhos, unidades de povoamento compostas por membros do povo e por eles governados, com proteção real (ou senhorial, por vezes) e com leis próprias. Nestes concelhos, mais urbanizados, qualquer trabalhador de condição livre poderia tentar a sua promoção económica e social, o que era praticamente impossível nos senhorios. No século XII cresceu em Portugal o número de concelhos, em parte devido a uma estratégia de povoamento do reino e cerceamento dos apetites territoriais da aristocracia guerreira e terratenente ávida de propriedades e de aumento do seu erário. Os trabalhadores livres (na documentação chamados foreiros ou herdadores, entre outras designações), quando tinham dinheiro ou montada própria, podiam ir à guerra (designando-se por cavaleiros-vilãos), embora o pudessem fazer a pé (peões).Os senhores eram, como vimos atrás, de origem laica (nobres) ou eclesiástica (clero regular e secular). Quanto aos nobres, estes sempre existiram em Portugal, desde o período suevo-visigótico, desaparecendo com a dominação árabe, mas ressurgindo e redefinindo-se em termos feudais após a Reconquista. De facto, a maior parte das linhagens nacionais começa a partir dos séculos XI e XII. Na origem da "alta" nobreza estava a promoção social pela guerra, por via de recompensas, títulos, isenções e privilégios perpétuos (principalmente para favoritos régios emergentes e alguns proprietários locais) ou, então, uma proveniência estrangeira, nomeadamente de Leão, Galiza, Castela e França, às vezes do Norte da Europa. Esta última proveniência da "alta" nobreza de linhagem (ou ricos-homens) era composta por filhos segundos cavaleiros à procura de títulos e terra no estrangeiro, oferecendo-se, então, a Península em reconquista e os seus reinos nascentes como um ótimo cenário para o cumprimento destes desideratos. No século XIII, a alta nobreza portuguesa tinha cerca de cem casas/famílias.Abaixo destes ricos-homens estava a "baixa" nobreza, formada, essencialmente, por proprietários de terras, que na sua maioria descendiam de antigas famílias de homens-livres romano-suevo-visigóticos. Eram em muito maior número que os ricos-homens e compunham-se, na maior parte de infanções, escudeiros e cavaleiros. Esta "baixa" nobreza envolveu-se inúmeras vezes em conflitos com os ricos-homens, principalmente nos reinados de Afonso II e Sancho II. O clero, por seu turno, adquiriu maior unidade e homogeneidade do ponto de vista religioso, cultural e intelectual do que no plano social e económico. Dividia-se em dois tipos: o secular, das dioceses, colegiadas e das comunidades e igrejas rurais; e o regular, das ordens religiosas, sujeito a uma regra, vivendo em comunidade monástica (mosteiros de monges) e conventual (conventos de frades mendicantes), compreendendo a existência de um ramo feminino e vivendo muitas vezes afastado do "mundo". Hierarquicamente, e quanto à proveniência e função dos seus membros, o clero dividia-se em "alto" clero (bispos, abades, priores, mestres das ordens religiosas e militares), quase sempre oriundo da nobreza, e "baixo" clero (clérigos, frades, monges, irmãos conversos), proveniente da baixa nobreza até ao povo "miúdo" e às vezes de servos. Num país eminentemente cristão e nascido da Reconquista, o clero detinha uma posição temporal (poder, terras, dinheiro) e espiritual considerável, assumindo um protagonismo ainda maior do que o da nobreza em muitas situações, nomeadamente na influência junto do poder real ou da "alta" nobreza, para além do poder cultural num país onde poucas escolas existiam (apenas as da Igreja) e onde o analfabetismo era quase total.Na sociedade medieval portuguesa, não se pode esquecer o Sul muçulmano em retrocesso constante até ao século XIII, onde existia um elemento árabe e berbere assinalável e alguns núcleos de cristãos que se mantiveram na região depois de 711 (formando o grupo moçárabe, culturalmente forte), para além de judeus. A tolerância religiosa dos Muçulmanos para com as outras comunidades quase sempre existiu. Os Judeus e Cristãos possuíam conselhos próprios das suas comunidades, auto gerindo-se, ainda que submetidos ao poder árabe. Pagavam também dízimos, maiores, todavia, do que os dos camponeses muçulmanos. Em termos sociais, nas terras muçulmanas (onde Estado e religião se fundiam), existia uma oligarquia poderosa, detentora do poder e dos cargos administrativos, bem como um conjunto de proprietários rurais residente nas cidades, de onde administravam as suas propriedades e recebiam as rendas. Com a vitória da Reconquista, a maior parte dos Muçulmanos foge para Espanha ou Marrocos, ainda que ficando alguns núcleos no Sul de Portugal, entretanto isolados pelos Cristãos triunfantes, que os remetem para os arrabaldes das cidades (Lisboa, Tavira, Silves, Faro, Évora, Beja, Setúbal, etc.) e sobre eles lançam pesados tributos. Dedicavam-se esses "mouros", quando não reduzidos à servidão, a ofícios de artífices, camponeses e almocreves. Muitos fundem-se com os Cristãos, mas a emigração medieval para Granada manteve-se até ao século XV. Desse domínio árabe ficaram também os Moçárabes, que, refinados pela cultura árabe e com hábitos mais requintados e poder cultural mais elevado do que os rudes Cristãos do Norte, com estes entraram muitas vezes em conflito ou choques sociais. Estava-se então na marcha de (re)colonização cristã do Sul, sob proteção régia e da "alta" nobreza, bem como das ordens religiosas e militares. A apetência pelo aumento do património fundiário era imensa, o que arrastou para estas regiões meridionais um grande número de nobres à procura de oportunidades ou então para consolidarem patrimónios e acompanharem o processo de restabelecimento de poderes e da administração no Sul. Depois da presúria a norte do Mondego, logo no início da Reconquista, a existência de populações cultural e economicamente estabelecidas no Sul criou enormes conflitos entre os colonizadores ou destes com essas gentes, principalmente em termos de posse de terras e casas, de hierarquia social, de cargos governativos e de administração. As regiões mais povoadas do país eram o Entre Douro e Minho, o vale do Douro e a Beira Alta, bem como as regiões em torno das cidades "mouriscas" mais importantes (Lisboa, Évora, Silves, Beja...)No período decorrido entre os séculos XII e XIV dá-se a definição da sociedade portuguesa, assente nas estruturas feudo-vassálicas de tipo senhorial e numa forte ruralização da população. Poucas eram as povoações com verdadeiro estatuto de cidade: Lisboa, Porto, Santarém, Guarda, Lamego, Braga, Silves, Évora, Beja... Também neste período de definição ocorreram conflitos entre os monarcas, o clero (Porto, por exemplo) e a nobreza, a quem os reis (como Afonso III) tentavam vigiar e evitar os seus abusos de poder e cortar a sua ambição patrimonial, situações estas que enfraqueciam o poder régio. Este refreamento da aristocracia manifestou-se nas Inquirições, por exemplo, pelas quais se pretendia inspecionar as reais posses e legitimidade das mesmas por parte das classes detentoras, para além de se pretender sentir o pulsar do país real. A expansão senhorial foi também combatida com o impedimento do aparecimento de novas honras (lei de 1321) e a obrigação de prova dos direitos feudais (1325). Esta legislação centralista do poder real e de travagem dos abusos de jurisdição da nobreza culminará com a promulgação da Lei Mental (1434) por D. Duarte, que nela regulou o regime de doações e reforçou o poder real.A Idade Média portuguesa conheceu um momento-chave no que se refere à sua definição social e demográfica: a Peste Negra (1348-1350), flagelo que assolou Portugal, ainda que em proporções inferiores às de outros países, mas deixando marcas, contudo. As marcas demográficas prendem-se com o êxodo das populações dos campos e das pequenas localidades para as cidades maiores, que crescem (vejam-se os amuralhamentos que se fizeram), engrossando aí o número de habitantes, piorando as condições de vida e criando desemprego e estagnação económica. A penúria de mão de obra na agricultura foi grande, com os proprietários em desespero à procura de trabalhadores e gerando-se decréscimos de produção e periclitância alimentar. Recordem-se as leis laborais de 1349 (e depois de 1401) para promoção da fixação de trabalhadores rurais. A população desceu ligeiramente em termos efetivos, estagnando-se depois o seu crescimento. A desertificação rural era sentida em várias regiões, contrariamente às cidades, onde, depois de uma certa recuperação da economia na segunda metade do século XIV, se assiste a um novo ciclo de desemprego urbano e deterioração das condições de vida e higiene, aumentando novamente a legião de mendigos e pedintes, marginais e andarilhos. Contra a mendicidade e pela preservação dos mesteres tradicionais com vista à recuperação dos ritmos produtivos, avança-se, então, com a lei das Sesmarias em 1375, embora os resultados não tenham sido os pretendidos. A tendência na época, em termos laborais, era para a liberdade de trabalho, isto é, o desagrilhoar do jugo feudo-vassálico da aristocracia antiga. Toda esta situação de exclusão, desemprego e crise económica e social viria a criar as condições para o deflagrar de levantamentos populares de carácter urbano na segunda metade do século XIV, como no Porto e, principalmente, em Lisboa, onde ocorreu a decisiva revolta de 1383-1385, que acabaria por ter uma dimensão política fulcral na história portuguesa.As consequências sociais da Peste Negra prenderam-se com o crescimento da classe média das cidades (comerciantes, artesãos antigos, por exemplo) ou dos pequenos proprietários rurais e dos trabalhadores sem dependências feudais. Estes segmentos, principalmente os das cidades, investiram, então, no comércio e na terra, assistindo-se ao nascimento da denominada "burguesia", grupo social cada vez mais forte a partir do século XIV, empregando trabalhadores e acumulando capitais, ainda que longe da corte e dos meios sociais mais elevados, dos meandros da vida política e governativa, a que aspirava e pela qual deu o grande passo que foi o apoio às revoltas de 1383-1385. Também os cavaleiros-vilãos cresceram em termos socioeconómicos, libertando-se dos abusos e prepotências dos grandes senhores feudais. A "alta" nobreza sofreu agora a concorrência da burguesia, perdendo fausto e algum poder, criando-se ressentimentos e tensões sociais. A burguesia "impediu", por outro lado, também a ascensão económica do povo "miúdo", que mantinha a sua situação pouco melhorada em finais do século XIV. Houve, assim, uma divisão da classe média entre mais ricos, mais bem posicionados e aspirando a títulos e linhagens, pois cada vez mais possuíam terras e capital, e os menos ricos, em maior número, um "tipo" de burguesia mais próxima do povo "miúdo". Os primeiros desejavam poder político, honras e cargos, ser nobres enfim. Os segundos, principalmente expandir as fontes de receita e empreender investimentos comerciais. Estes dois "subgrupos" seriam, pois, no seu quadro de objetivos e pretensões, os pilares de apoio da aventura portuguesa dos Descobrimentos e expansão iniciados no século XV, tempo de mudança profunda na sociedade.No topo da sociedade, os monarcas de Avis empreenderam o processo de fortalecimento da administração central e do poder régio, favorecendo, para tal (e também à procura de financiamento e poder de investimento para as empresas comerciais em curso), a ascensão social da burguesia, ainda que não a dotando de um poder político tão efetivo ou determinante como o da nobreza, de onde, aliás, eram oriundos os reis.A sociedade do final da Idade Média, do século de começo da gesta ultramarina portuguesa, dir-se-ia, conheceu um conjunto de alterações e redefinições face às novas conjunturas político-económicas dos Descobrimentos e aos novos quadros mentais e culturais daí decorrentes.O clero entrava lentamente num processo de decadência em termos de disciplina e de costumes, com observâncias relaxadas e difusas no clero regular e uma tendência geral para a patrimonialização crescente e aumento de rendas e proventos. O Cisma do Ocidente ajudou a minar a unidade do clero, arrastando as nações. Em Portugal, surgiram as "comendas" nas ordens religiosas, com mosteiros e conventos a ficarem sob a alçada depredatória e sugadora de superiores que nada tinham a ver com a casa ou a observância religiosa e mais interessados nos seus lucros. Espiritualmente, o clero entrou em ciclos viciosos de atitudes e comportamentos nada abonatórios, apesar de existirem tendências reformistas e prelados íntegros e muitos clérigos e religiosos ainda disciplinados. No clero, apenas nas ordens religiosas militares se conhecia algum estado de graça e de dinamismo interno.A nobreza perdeu importância política, apesar das vitórias africanas. Estas foram, todavia, suplantadas em valor económico, político e estratégico pelas atividades comerciais e de exploração dos territórios atlânticos. Havia, pois, uma estagnação na nobreza, com derrotas políticas internas e desaires militares comprometedores (Alfarrobeira, Tânger). A pequena nobreza aventurou-se na colonização e no comércio, conhecendo algum progresso material. A nobreza ainda conheceu um período de algum esplendor com Afonso V e sua política marroquina, mas sem atingir a dimensão de outrora. O feudalismo senhorial estava em franca regressão e quebra política e económica. Apenas a casa de Bragança conseguia ter uma projeção própria dos antigos pergaminhos da nobreza.A burguesia triunfava economicamente com as oportunidades de comércio e investimento agro-artesanal nos territórios ultramarinos e africanos. Dominava a vida das cidades, estava cada vez mais integrada nas correntes culturais e conhecia uma relativa alfabetização. A sua atividade pujante era determinante na evolução do processo económico de acumulação de capitais a partir do trato ultramarino, financiando projetos e apoiando os soberanos, tal era a sua ânsia de poder político. O povo continuava pobre, dependente de algumas peias senhoriais e à mercê da conjuntura política e económica do reino. Nos campos ainda dependia do trabalho oferecido pelos senhores, conhecendo condições de vida duras, ainda que houvesse falta de braços em certas zonas e em certos períodos. A colonização dos Açores e da Madeira serviu para aliviar parcialmente a situação de algumas regiões, ainda que insuficiente para a resolução dos problemas intrínsecos do povo. Nas cidades, havia excedentes de mão de obra, pouco especializada diga-se, e vivendo em condições de salubridade pública difíceis. Participou o povo das cidades também na colonização ou embarcou nas tripulações das caravelas quatrocentistas, mas, na generalidade, não conheceram também grandes e reais avanços em qualidade de vida.As minorias continuavam a existir em Portugal no século XV, vivendo em zonas residenciais nas cidades e vilas, alguns em aldeias ou dispersos pelo campo, com relativa tranquilidade e tolerância irregular por parte da população, apesar da proteção régia. Os Judeus, cultos, ativos, ricos, eram essencialmente urbanos. Manobravam-se muito bem nos meandros do poder e detinham boa parte das profissões liberais (físicos, astrónomos, farmacêuticos, químicos, juristas, filósofos, cartógrafos) e uma grande fatia do poder financeiro do país, com fortunas e conhecimentos capazes de influenciar e aconselhar reis. Trabalhavam também no artesanato. Foram muito determinantes em certos momentos da expansão quatrocentista, nomeadamente com João II, embora conhecessem, em finais do século XV, a repressão, as perseguições e, posteriormente, já na centúria seguinte, a expulsão de Portugal. Sofreram esporadicamente perseguições de carácter religioso, algumas chacinas e acusações violentas e infundadas, como os "Mouros", que foram também expulsos na mesma época dos Judeus. O seu número era talvez menor. Pelo menos, era uma comunidade mais apagada do que a hebraica, a todos os níveis, vivendo em torno de algumas cidades do Sul do país, como Lisboa, em mourarias fechadas. Existiam também estrangeiros no nosso país, principalmente Ingleses, Flamengos e Castelhanos, para além de Franceses e alguns Italianos, quase todos ligados ao comércio, à banca ou ao artesanato.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O PODER RÉGIO

Monarquia feudal
1. O rei era um senhor, o mais rico e poderoso do território português. De acordo com esse estatuto, os nobres e os clérigos eram seus vassalos, e os restantes habitantes seus súbditos.
2. Enquanto senhor feudal, o rei exigia rendas e prestações públicas, não só nos seus domínios (reguengos), mas também nos alódios (propriedade livres) e nos concelhos.
3. A relação do rei com os seus vassalos era encarada como uma relação de troca, típica da época feudal, segundo a qual o monarca oferece proteção e doações e os vassalos obedecem à sua autoridade e prestam-lhe apoio na governação. Assim surgiu a corte de vassalos.
4. O reino português era tratado, pelo rei, como se fosse um território privado, um património pessoal herdado, que ele podia alienar sob a forma de honras e coutos, como recompensa por serviços prestados. Esse património era transmitido, por sua vez, em testamento, ao filho primogénito.
FUNÇÕES DO REI
Os reis de Porugal fundamentavam o seu poder, desde o início da nação, na doutrina do direito divino (“pela graça de Deus, rei de Portugal”) e assumiam como principais funções:
1. A chefia militar
2. Manutenção da paz e da justiça (o rei era o juiz supremo)
3. A cunhagem da moeda e a sua desvalorização
As Leis Gerais de 1211 (rei Afonso II) levou a monarquia feudal à monarquia centralizada:
-Itinerância da Corte
- O Chanceler, a quem competia redigir os diplomas régios, viu o seus poderes reforçados.
-O órgão consultivo que apoiava a governação - A Cúria Régia evolui para um Conselho Régio e depois para as Cortes.
Nos Concelhos, o rei fez-se representar por vários cargos:
-Alcaide-mor
-Almoxarife
-Corregedor e juízes de fora
-Vereadores
Combate à nobreza e ao clero com as Leis de Desarmotização (1211)- impediam a igreja e os mosteiros de adquirirem bens de raiz. As Confirmações Gerais (1217-1221)- reconheciam a posse de terras e direitos dos senhores. As Inquirições (1220)- inquéritos que averiguavam o estado dos reguengos se houve usurpações.
Por vezes, a tentativa régia de controlar os poderes senhoriais atingia os contornos de uma verdadeira luta. O caso mais extremado sucedeu com D. Sancho II, deposto pelo Papa Inocêncio IV e substituído pelo seu irmão D. Afonso III. Entre 1220 e 1245, deu-se uma verdadeira guerra civil entre d. Sancho II e os grandes senhores do país.
Os monarcas procuravam apoiar-se nas elites urbanas contra o poder da Igreja e dos senhores.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O PAÍS URBANO E CONCELHIO

A CIDADE MEDIEVAL PORTUGUESA:
Uma sociedade multifacetada pela presença de três religiões: cristã, judaica e muçulmana.
A predominância da presença cristã e, dentro desta, das elites urbanas, materializou-se nas várias construções de pedra que restam nas cidades medievais:
- A catedral
-Os paços do concelho (local onde se reunia a assembleia de vizinhos, a quem cabia governar a cidade)
- A torre de menagem onde residia o alcaide (funcionário nomeado pelo rei para governar o território)
-As casas de mercadores ricos.
JUDEUS: eram, geralmente, mesteirais, isto é, trabalhadores especializados num determinado ramo do artesanato. Regiam-se pelo Talmude e obedeciam ao rabi. As judiarias
MUÇULMANOS: dedicavam-se à olaria, fabrico de tapetes e de sapatos. As mourarias nos arrabaldes, cujo acesso era proibido às mulheres cristãs, sob pena de morte. Também eram obrigados a usar, à frente do seu vestuário tradicional, um crescente.
OS CONCELHOS
A principal característica dos concelhos residia no privilégio de disporem de autonomia administrativa (superintendência jurídica). Este privilégio era expresso na carta de foral, documento outorgado por um monarca ou um senhor, que estabelecia os direitos e obrigações dos habitantes do concelho, enquanto o selo concelhio simbolizava a autonomia jurídica das povoações.
Os concelhos perfeitos ou urbanos localizavam-se nas regiões fronteiriças das Beiras, na Estremadura, no Alentejo, isto é, em zonas que era urgente defender e povoar. Incluíam a cidade ou vila e o seu termo (aldeias e população rural em redor). Nesta área governavam os vizinhos (homens livres, maiores de idade, habitantes ou trabalhadores na área concelhia) reunidos em assembleia (concilium). As suas decisões ficaram registadas nas posturas municipais.
CARGOS NA CIDADE
- HOMENS-BONS: Elite social - proprietários rurais ou comerciantes que monopolizavam as magistraturas da administração local.
1. Alcaides (também chamados de juízes ou alvazis) – líderes da comunidade
2. Almotacés: - vigiavam as actividades económicas, a sanidade e obras públicas
3. Procurador: - era o tesoureiro e representava o concelho no exterior
4. Chanceler;- guardava o selo e a bandeira do concelho.
5. Vereadores; -cargo existente desde 1340

domingo, 8 de janeiro de 2012

O SENHORIO PORTUGUÊS: O MUNDO RURAL


Os senhorios (territórios onde o senhor exercia poder sobre a terra e sobre os homens) formaram-se através da pesúria, isto é, da ocupação, pelos Cristãos, de terras conquistadas aos muçulmanos, logo terras sem dono.
TIPOS DE SENHORIOS
-REGUENGOS: as terras eram do rei
-HONRAS: as terras eram honradas pela presença do senhor nobre
-COUTOS: senhorios que pertenciam à Igreja e gozavam de isenção fiscal, judicial e militar.
No Norte Atlântico predominou o senhorialismo nobre e eclesiástico: era o país senhorial
No Centro e Sul do país abundavam os concelhos: era o país urbano
A NOBREZA senhorial de Entre o Douro e Minho que habitavam no castelo:
Infanções (fidalgos)
Ricos-homens
Cavaleiros
Escudeiros
Poderes dos senhores:
Possuir armas e comandar exércitos
Receber multas judiciais relativas ao exercício de Justiça
Cobrar exigências fiscais: alimentar o senhor e o seu séquito, o jantar, pagar o uso do forno, moinho ou lagar –as banalidades, pagar para casar fora do domínio senhorial- as osas ou gaiosas.
Os senhores podiam proibir a entrada de funcionários régios.
DOIS TIPOS DE PODER:
-O PODER SENHORIAL, de NATUREZA POLÍTICA: que corresponde à autoridade sobre os habitantes do senhorio.
- O PODER ECONÓMICO: sobre os seus domínios senhoriais, o qual resultava da posse e exploração de terras.
PARTES DO DOMÍNIO:
1.-A QUINTÃ (também designada de reserva ou paço)- incluía a morada do senhor (castelo), uma igreja, estábulos, celeiros, moinhos e uma porção de terra explorada directamente pelo senhor. A Quintã era explorada graças ao trabalho obrigatório e gratuito – as JEIRAS – de escravos, servos e colonos livres. Nos domínios da Igreja, a quintã tomava o nome de GRANJA e pagavam a dízima.
2.- Os CASAIS ou VILARES (na Europa, mansos)- eram terras arrendadas (sendo o casal subdividido em glebas). Os casais eram explorados através de contratos (de arrendamento, por duas ou três vidas) entre senhores e colonos ou “caseiros”. Estes pagavam as rendas de forma fixa ou cedendo uma parcela das colheitas.
Os dependentes são:
HERDADORES
COLONOS
SERVOS
ESCRAVOS
ASSALARIADOS

sábado, 7 de janeiro de 2012

DO CONDADO PORTUCALENSE À FUNDAÇÃO DO REINO DE PORTUGAL E RECONQUISTA

A Reconquista cristã da Península Ibérica estendeu-se entre 718 e 1492 (conquista do reino mouro de Granada). Buscam fama, riqueza e a remissão dos pecados prometida pelas bulas papais.
-os cruzados que iam a caminho da Palestina;
-ordens religiosas e militares implantadas na Península Ibérica
-cavaleiros oriundos de vários pontos da Europa.
A vinda de D. Henrique da Borgonha, filho segundo, à procura de riqueza e em 1096, quando Afonso VI de Leão e Castela, concede-lhe o Condado Portucalense, território entre o Minho e Mondego, e a mão da sua filha bastarda, D. Teresa em casamento.
Estendeu o seu território até ao Tejo.
Seu filho, D. Afonso Henriques, conseguiu ir mais longe, alcançando a independência e tornou-se o primeiro Rei de Portugal. Tem três frentes de luta:
-Contra a própria mãe;
-Contra Afonso VII de Leão e Castela;
Em 1143, na Conferência de Zamora, Afonso Henriques alcança o título de rex (rei) que já usava desde 1139, mas mantém-se vassalo de seu primo.
Em 1179, o Papa Alexandre III, através da Bulu Manifestis Probatum, concede a Afonso Henriques o domínio do Reino de Portugal com inteiras honras de reino e a dignidade que aos reis pertence, comprometendo-se o rei a entregar dois marcos de oiro anualmente.
-Contra os muçulmanos.
AVANÇOS E RECUOS NA RECONQUISTA
D. Afonso Henriques conquista Lisboa (1147), Alcácer do Sal (1168) e Évora (1165).
D. Sancho I (1185-1211)- Com este rei a reconquista avançou até ao Algarve, mas perdeu, para os Almóadas, todas as praças conquistadas a sul do Tejo, excepto Évora.
D. Afonso II (1211-1223)- mais ocupado com a administração do território, este rei descurou a acção militar.
D Sancho II (1223-1245)- avançou na reconquista do Alentejo, conquista Mértola e chega ao Algarve, D. Sancho foi deposto pelo Papa em 1245 e sucede-lhe o seu irmão D. Afonso III.
D. Afonso III (1248-1279)- concluiu a conquista do Algarve, terminando a Reconquista portuguesa (1249).
Finalmente, em 1297, pelo Tratado de Alcanises, celebrado entre D. Dinis e Fernando IV de Castela, fixaram-se os limites finais territoriais dos dois reinos.
Portugal é, assim, o país da Europa que apresenta as fronteiras mais antigas e estáveis.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

MÓDULO 2:UNIDADE 3: VALORES,VIVÊNCIAS E QUOTIDIANO

FEUDALISMO


INVASÕES BÁBARAS


Os povos germânicos contribuíram muito para o fim do império Romano do Ocidente. entre estes povos estavam: Francos,Lombardos,Visigodos,Ostrogodos, Anglos, Saxões,Vândalos,Suevos e Burgúndios.

Estes povos eram chamados bárbaros, porque tinham costumes sociais, políticos e econômicos diferentes dos de Roma. Além de usarem  idiomas diferentes do grego e do romano.

Os germânicos entraram no território por duas formas:

» migrações: eram incentivados pelos romanos que visavam os jovens germânicos para reforço no exército no controle das fronteiras.

» Invasões: feitas de maneira violenta, com intenção de expulsar os romanos e tomar suas terras.

As migrações foram durante os séculos III – IV. As invasões já foram mais adiante , a partir do século V.

Um dos fatores que impulsionaram as invasões germânicas foi  a chegada dos hunos ( mongóis) à Europa. Estes vindo da Ásia , começaram a invadir vários territórios germânicos, obrigando-os a entrar no domínio Romano.

Os hunos aniquilaram os  Ostrogodos em 375. e logo em seguida os Visigodos. Para fugir deles o chefe dos visigodos pediu permissão ao imperador romano para entrar no seu território. Esta permissão foi concedida e para arrependimento do imperador romano, os germânicos entraram e saquearam e destruíram muitas das cidades e aldeias romanas.

A maioria dos reinos bárbaros tiveram vida curta. Somente os Francos conseguiram se organizar, estruturar e expandir seus domínios.

REINO FRANCO


Os francos já faziam incursões desde o século II, no território da Gália, que era do império romano.  A diferença deles para os outros povos bárbaros foi  justamente a sólida estrutura política que ajudou na expansão.

Algumas dinastias se destacaram. A primeira foi a  Merovíngia. Foi nesta que começou a expansão do império Franco. Anexando vários territórios vizinhos. Seu rei Clóvis(482-511), converteu-se para o cristianismo e promoveu uma aliança com a igreja.

Isso favoreceu ambas as partes. Pois de um lado o Papa fortaleceu o poder do rei e por outro o Papa teve o apoio  político  e militar contra os imperadores bizantinos.

Clóvis, era neto de Meroveu ( primeiro líder dos francos). Depois da morte de Clóvis, seus quatro filhos dividiram o reino , enfraquecendo-o politicamente. A reunificação só ocorreu no reinado de Dagoberto( 629-639).

Mas seus sucessores, não foram muito exemplares como governantes. Não estavam tão preocupados com a administração do reino, levavam uma vida desregrada, em prazeres e divertimento, por isso passaram a ser conhecido por  reis indolentes.

Na prática quem governava o reino era um alto funcionário da corte, o prefeito do palácio oumordomo do paço . este sim desempenhava o papel de verdadeiro rei.

O mais famoso deles foi Carlos Martel (714-741), que conseguiu deter a invasão mulçumana na Europa, vencendo-os em Poiters, em 732.

Após sua morte, seus poderes políticos foram passados a seu  filho, Pepino, o Breve. Em 751, ele destronou o rei Childerico III, o último rei merovínio e fundou a dinastia Carolíngia.

Foi reconhecido rei pelo Papa. por isso lutou contra os lombardos, povo que ameaçava o poder da igreja. Na vitória cedeu o território de Ravena e reforçou o poder temporal da igreja. Isso tudo deu origem ao Patrimônio de São Pedro, que se tornou o estado da igreja católica.

IMPÉRIO DE CARLOS MAGNO


O império carolíngio não tinha sede fixa. Ela era onde o rei e sua corte se encontravam. Embora a cidade onde o rei passava mais tempo era Aquisgrã,no palácio das fontes de águas quentes.

Em 768, Carlos Magno, assumiu o trono e governou até 814. realizou muitas conquistas, expandindo as fronteiras do império. Com isso Carlos garantiu a dependência entre poder central e nobreza. Porque parte  das terras conquistadas eram doadas à aristocracia que por sua vez tinha um compromisso de lealdade para o rei-susserano.

As vitórias de Carlos Magno expandiram não só seu território mas também a fé católica sobre as outras religiões.

Suas maiores conquistas foram:

» 773 - derrotou os lombardos anexando em seu território o norte da Itália.
» 778 – estabeleceu uma posse franca na Espanha.
» 804 – submeteu os saxões que haviam no norte do seu reinado.

O êxito de suas conquistas teve o apoio da igreja. Em 800, Carlos Magno recebeu do Papa Leão III a bandeira de Santo Sepulcro, sendo aclamado ‘’ imperador dos romanos’’. Seu reino foi o mais extenso da Europa Ocidental.

A propriedade da terra era a fonte de riqueza e de prestígio.

Para administrar um império tão grande , Carlos Magno estabeleceu muitas normas escritas, as chamadas capitulares, que funcionavam como leis.

Entre os administradores estavam:

» Condes: responsáveis pelo cumprimento das capitulares e pela cobrança de impostos dos condados,ou seja, territórios do interior;

» Marqueses: cuidavam dos territórios situados na fronteira do império, ou seja, dasmarcas.

» Missi-dominici: inspetores do rei, que  viajavam por todo o reino para fiscalizar a atividade dos administradores locais.

Carlos Magno preocupou-se em promover o desenvolvimento cultural de seu reino. Então ele , apoiado por intelectuais, abriu escolas e mosteiros, apoiou a tradução e a cópia de manuscritos antigos e protegeu artistas.

Seu governo foi marcado por atividade intelectual nas áreas das letras, artes e educação. Isso foi chamado de Renascença Carolíngia, que contribuiu para a preservação e transmissão da cultura da antiguidade clássica.

Após a morte de Carlos Magno, em 814, o governo passou para seu filho Luis,O piedoso,que permaneceu no poder até 841. Isso mostra que o grande reino de Carlos Magno não durou muito. Porque já com os seus netos começaram as disputas.

Seus netos eram: Lotário, Carlos o calvo e Luis o Germânico. Depois que esgotaram o império os irmãos assinaram o  Tratado de Verdum(843).

Esse tratado dividia o reino em três partes.

A Luis coube a França Oriental( atual Alemanha);Carlos herdou a França Ocidental( atual França); Lotário  ficou com o território do centro da atual Itália até o Mar do Norte, que se chamou Lotaríngia.

Essa divisão do poder real e do território foi acompanhada de uma crescente autonomia e independência dos Condes.

A parte que ficou com Luis deu origem a um novo império, o Germânico. Até o século X, os grandes senhores feudais daquela região eram fiéis aos descendentes de Carlos Magno. Após o fim da dinastia Carolíngia, a Germânia passou a ser controlada por cinco famílias , onde o poder das terras ficaram divididas em cinco ducados:

Saxônia, Lorena, Francônia, Baviera e Suábia.

Entre estes reis não havia sucessão dinástica.

Os reis germânicos continuaram na tradição Carolíngia  e aliaram-se ao Papa, levando o nome do império para Sacro Império Romano- Germânico.

Este império durou até o início do século XIX, quando foi destruído pelas guerras napoleônicas.

E assim mais um império desaparece, deixando para as gerações seguintes sua cultura e personagens importantes para serem estudados e assim lembrados mais uma vez.




Fundamentos da idade média: o Sistema feudal


As duas fases da Idade Média

O feudalismo é o elemento que define esta parte da história,é uma fase singular devido a servidão.coincidentemente a Idade Média está ligada com a formação, desenvolvimento e declínio do trabalho servil.É dividida em:

Alta Idade Média ( séc. V-XI), esta fase vai desde a queda de Roma e formação dos reinos germânicos no Ocidente até o início das cruzadas contra o Islão, a servidão começa a surgir e tomar forma ,para depois se tornar sólida e espalhar-se.

Baixa Idade Média (séc. XI-XV), esta fase começa com a primeira Cruzada até a centralização do poder real e a expansão ultramarina européia.nesta fase tem-se o renascimento comercial e urbano,orientando assim a vida econômica.nesta época ocorre o apogeu e também a crise que leva ao seu declínio.

Como surgiu o feudalismo


O feudalismo surgiu depois da desintegração do império Romano,devido as invasões bárbaras, no século V.mas estes invasores não destruíram tudo da civilização romana, pois as novas sociedades que estavam surgindo, eram uma mistura de povos,dos conquistadores e dos conquistados.

A sociedade feudal na Europa teve características romanas.uma delas foram as vilas.ou, seja as grandes propriedades de terras que mais a frente deram origem aos feudos;o cristianismo, organizado pela igreja Católica, que ajudou e muito a preservar a cultura greco- românica, e que tinha o poder cultural da época.

FEUDALISMO PROPRIAMENTE DITO

A Produção era de subsistência.a principal fonte de renda era o feudo, ou seja, a terra.o dono da terra era o senhor feudal, ele mandava e cobrava tributos dos seus servos e não faziam nenhum investimento ou nas terras ou nos seus servos.este por sua vez,podiam usar da terra mas não de maneira livre, pois deviam pagar tributo.podia ser proprietário de alguns instrumentos de trabalho. O servo tem de se submeter a essa vida , principalmente porque o senhor feudal tem a ajuda das armas e da igreja. A produção tem como maior objetivo manter os senhores feudais. E ocorre assim um atrito entre servos e senhores feudais.

A servidão

O sistema feudal tinha como base fundamental a relação servil de produção.a sociedade feudal estava organizada em torno de duas camadas sociais básicas: os senhores feudais e os servos.Embora no meio desta sociedade existia pessoas que não se enquadrava em nenhuma dessas classes. Estes eram : os vilãos, que eram camponeses livres;os senescais , que eram agentes senhoriais.

A importância da servidão na Idade Média era tanta , que o fim da servidão foi equivalente ao fim do feudalismo e da Idade Média.

A sociedade

A sociedade feudal era principalmente rural, ou seja, quase todas as pessoas viviam no campo.O trabalho na agricultura era pesado e cansativo e os camponeses ficavam com poucos frutos,visto que as terras eram dos nobres.

Os nobres eram os donos da terras, também chamados de feudos.como proprietários, o trabalho deles era pouco, em comparação com os servos.

Servos,não eram escravos porque não pertenciam aos nobres, já que não podiam ser vendidas para outro senhor feudal. Mas também não eram livres para irem para outro lugar ou outro feudo.estes camponeses servos tinham direito de utilizar um pedaço da terra do feudo para uso próprio.mas o senhor feudal não fazia investimentos na terra.Os instrumentos de trabalho ,como foices, machados e outros, pertenciam aos servos.veja algumas das obrigações feudais:

Corvéia:era prestação de serviço gratuitos.isto é,o servo trabalhava uns dias na semana de graça para o senhor feudal ,em terras do seu senhor.além de construir pontes, reparar estradas e outros trabalhos extras.

Talha: era a entrega de produtos gerados diretamente por trabalho servil.parte da colheita do servo devia ser entregue ao senhor feudal.isto incluía aves, alimentos e animais.

Banalidades: eram taxas criadas por qualquer motivo.multas, impostos para compra de equipamentos e vários.

Tais obrigações servis ou melhor, direitos senhoriais, eram como consagrados pela tradição e variavam de acordo com a região.A relação entre senhor feudal e servo era bem prática: os servos trabalhavam enquanto os senhores feudais lhes garantiam proteção, em caso de guerras, e abrigo, no caso de calamidade. Mesmo assim , com essa suposta proteção, os camponeses não se conformavam tão facilmente com tanto trabalho me tanto tributo.por isso havia rebeliões, que infelizmente eram sufocadas de maneira violenta e cruel pelos nobres.

feudo era uma grande propriedade de terra, que os servos trabalhavam.haviam as terras comunais, estas eram usadas tanto pelo senhor, por meio de seus servos, como pelos camponeses.também servia como pastagem para animais, colheita de frutas, além ser usada para as caça do nobre.

A economia do feudo era de subsistência ,pois o feudo não produzia tantos excedentes,mas apenas o básico para sobreviver.por causa disso as cidades e o comércio eram pouco desenvolvidos.

NOTA: A expansão árabe limitou o comércio europeu. Com as invasões árabes, iniciadas no século VIII,houve dificuldades para os europeus, pois o norte da África, parte da península ibérica e o Mar Mediterrâneo eram dos árabes.isto contribuiu para uma das características do feudalismo, o isolamento da Europa e o esvaziamento das cidades e do comércio.

A IGREJA CATÓLICA E O FEUDALISMO

Um dos motivos da igreja Católica, ter sido tão poderosa nesta época,era devido ao grande número de adeptos.além de ser dona de muitos feudos.seus bens vinha muitas vezes por doações deixadas por nobres em seus testamentos.a nobreza e a cúpula da igreja pertenciam a mesma classe, a dos senhores feudais.

O domínio da igreja não era só na vida religiosa das pessoas, mas também na cultural.os clérigos faziam parte dos poucos que sabiam ler.por causa disso tudo o que se dizia ou pensava devia ter a permissão da igreja. Caso contrário, a pessoa era considerada um herege- inimigo da fé cristã- quem fosse condenado com tal tinha punições pesadas.entre ela: a fogueira e a masmorra.

A igreja tinha um papel político de importância,como ela andava de aos dadas com os senhores feudais, ela podia difundir a idéia de conformidade da sua situação, principalmente em relação aos servos, e deste modo tentar controlar os camponeses revoltosos.logo, muitas revoltas camponesas foram consideradas heresias.

A TRANSFORMAÇÃO DO FEUDALISMO


O auge do feudalismo foi entre os séculos IX e XIII. Nesta época a Europa era dividida em vários feudos, um ‘mundinho’ governado por seu próprio senhor,com suas leis,cobranças e forças armadas. Nesta situação, o rei era um nobre proprietário de terra,com pouca autoridade além do seu próprio feudo. Essa hierarquia tem origens nas guerras antigas.como era o sistema? Um grande chefe militar vencedor,distribuía as terras dos vencidos entre seus auxiliares mias íntimos, que se tornavam seus vassalos.estes por sua vez tinha de dar apoio militar ao seususerano.Estes vassalos, se quisessem podiam distribuir parte de suas terras para pessoas que seriam seus vassalos.

O desenvolvimento económico


Quando as últimas invasões bárbaras acabaram,inicia-se o desenvolvimento comercial da Idade Média.

As energias sociais começam a dedicar-se mais, provocando pequenos acréscimos na capacidade produtiva feudal.com isso tem- se um aumento populacional, dando início ao processo de colonização interna do ocidente. Pois com mais pessoas era necessário mais terras, o meio mais viável era ir atrás de terras. No século XI,há uma relativa melhora das técnicas agrícolas, como exemplo: emprego de moinho de vento e água, atrelagem do animal pelo colo. O uso do arado e da enxada de ferro.claro que estas inovações foram limitadas, já que não havia tantos incentivos.

O aumento da produção agrícola se deu ,por cultivar áreas que antes estavam desocupadas (desmatando bosques e drenando pântanos), depois,desenvolvendo o emprego do afolhamento, isto é , dividir a terra em três partes . sendo que em duas eram cultivadas duas culturas diferentes e na terceira parte a terra ficava em descanso, ou melhor , no pousio. Esta parte ficavam recebendo todo o cuidado para recuperar a fertilidade. Então depois de três anos,havia a rotação de culturas.

Com o aperfeiçoamento da metalurgia houve a criação de arados de ferro, que aumentaram a produtividade e diminuíram o esforço.

O aperfeiçoamento do artesanato de roupas e objetos pessoais, armas e armaduras asseguravam maior conforto e capacidade militar.

Com tudo isso , muitos feudos começaram a produzir mais que o necessário. com estes excedentes, era possível vender e com o dinheiro, comprar outras coisas que vinham das regiões vizinhas.

Com isso começa a surgir as feiras medievais, estas eram os locais onde os comerciantes faziam seus negócios.algumas destas feiras ser tornaram tão importante que deram origem acidades.Nas cidades viviam a maioria dos artesãos e comerciantes. A cidade e o campo foram aprimorando suas atividades econômicas.ficando da seguinte forma :o campo aprimorando sua agricultura e criação de animais, já as cidades se concentrando no artesanato e no comércio. E os nobres ficaram com a parte que era a força motriz da época: consumir, principalmente as mercadorias vendidas pelos comerciantes e artesãos.

Com isso as cidades foram crescendo, e como muitas delas eram dentro das terras do nobres, elas também pagavam tributo feudais.mas depois do século XIV, muitas cidades já tinham se tornado ricas o suficiente para se livrarem do domínio do senhor feudal e assim obter autonomia.

A CRISE DO SÉCULO XIV


Neste século surgi a primeira crise,pelo fato dos senhores feudais não investirem na tecnologia , a produção passou a ser insuficiente para a população da época.A produção agrícola vinha do desbravamento de terras , mas chegou um momento que já não havia tantas terras assim.com isso começa a haver a fome, junto com o aumento de impostos.o intercâmbio com o oriente trouxe coisas boas( mercadorias e especiarias) e más( doenças, entre a pior, a peste negra).com as doenças e a superpovoação nas cidades, ocorre uma catástrofe demográfica, pois com cidades sem nenhuma infraestrutura e cheia de ratos , as doenças se alastraram rapidamente e matando assim quase 40% da população.o medo da doença fez com que cidades inteiras fossem abandonadas, logo, começou a faltar mão-de-obra nos feudos e com isso as rendas dos senhores feudais foi caindo e eles também .mas para assegurar a sua posição, a nobreza aumentou seus tributos sobre os servos. Estes tributos foi o necessário para fazer estourar várias revoltas camponesas.

Então o feudalismo teve sua destruição final quando as revoluções burguesas começam a aparecer.

O Sistema Feudal


A origem do feudalismo foi desencadeada a partir da crise romana. O feudalismo foi uma formação social que era feita de valores romanos, católicos e germânicos. Este sistema dominou a vida dos reinos europeus do século X ao século XIII.

O feudalismo teve em suas origens vários aspectos:

» Houve um grande retorno ao campo; a ruralização da sociedade européia aconteceu no início do feudalismo, pois o comércio foi abandonado como principal atividade econômica.
» Pequenas propriedades de terras desapareceram; essas pequenas propriedades se arruinaram economicamente e foram incorporadas às grandes propriedades. Os grandes proprietários de terra foram ampliando seus poderes locais.
» Apareceu o colonato; o colonato é o sistema de trabalho em que escravos e plebeus pobres passaram a trabalhar como colonos para um grande Senhor de terra. O grande proprietário oferecia terra e proteção aos colonos. Com isso foram criados vilas, que eram compostas por colonos. As cidades perderam importância devido ao surgimento das vilas.

O sistema feudal dominou durante um  longo período de tempo, em toda a Europa Ocidental. Por se estender a uma área tão grande não foi idêntico em todos os lugares. Mas há características comuns como: o rei teve seu poder enfraquecido, uso do trabalho servil no campo, a vida rural foi fortalecida, etc...

Mas veja de forma detalhada como era o sistema feudal nos aspectos político, social e econômico.

POLÍTICA

Durante o período de feudalismo o rei não mais exercia seu poder soberano. Embora a figura do rei ainda existisse, ele não tinha poder efetivo sobre todo o reino. A política foi dividida entre os senhores feudais, que eram proprietários de grandes extensões de terra, os feudos. Ele era a autoridade absoluta sendo administrador, juiz e chefe militar.

A descentralização política gerou a também a descentralização monetária, ou seja, não havia mais apenas uma moeda para todo o reino. Acabou também com o exército nacional, havendo agora pequenos exércitos que serviam aos senhores feudais.

Suserania e Vassalagem

» O suserano – protegia o vassalo de forma militar e jurídica. Tinha o direito de se apossar do feudo caso o vassalo morresse sem herdeiros. Podia também impedir o casamento do vassalo com uma pessoa que lhe fosse infiel.

» O vassalo -  devia prestar ao suserano serviço militar, libertá-lo caso fosse aprisionado por inimigos e etc. Mas o vassalo não era um servo. A relação vassalo-suserano era um pacto militar.

FEUDO = o termo feudo vem do antigo inglês feo, que se referia a ‘gado’, ‘ riqueza’, ‘fortuna’. Passou a designar toda possessão , incluindo terras, gado e outros bens.

SOCIEDADE

A sociedade feudal era dividida em  estamentos, ou seja, diferentes grupos sociais.

Os três principais eram:

1. Nobreza - eram os grandes proprietários de terras que também se dedicavam ao serviço militar. Haviam os senhores feudais: o único proprietário do feudo. Ele exercia a justiça sobre todos os que viviam sob sua proteção e interferia na vida pessoal das famílias servis.

2. Clero - o clero era constituído por membros da igreja Católica e era formada pelo alto clero e baixo clero. Alto clero dirigia a Igreja, administrava suas propriedades agrárias e tinha grande influência política e ideológica. O clero era muito rico,a partir do momento  em que passou a receber doações dos católicos.

3. Os servos eles eram a maioria da população camponesa. Eram os trabalhadores que sustentavam a estrutura feudal e não homens livres. Eles produziam alimentos, roupas e outros. Eram presos ao senhor feudal.

Além destes três estamentos, haviam alguns escravos , os vilões,que era homens livres que trabalhavam para os senhores feudais, mas não eram presos à terra. Haviam também os ministeriais que administravam os feudos em nome do proprietário.

Havia também uma população formada por pequenos mercadores e artesãos.

A IGREJA

A igreja era a grande proprietária de terras, por isso sempre interferia nas relações servis. Pregava que a existência de “senhores” e “servos” era normal em uma sociedade cristã. Pregava também que a infidelidade e a rebeldia eram pecados mortais.

A igreja assumiu o papel das instituições públicas: eram os padres que educavam, que arbitravam as questões legais, que informavam e que orientavam a economia. Também tentavam converter todos ao catolicismo, por bem ou por mal. Nesta época a igreja se distanciou dos ensinamentos de Jesus Cristo, por isso Francisco de Assis criticou a Igreja católica.

Curiosidades= a média de vida mesmo nas classes nobres era de apenas 44 anos!!

As construções eram rudimentares: feitos de madeira ou pedra bem desconfortáveis. Os pisos eram de funco ou palha!!

A alimentação deles era composta por carne, peixe, queijo. Couve, nabo, cenoura, cebola, feijão e ervilha. Não conheciam café e o açúcar eram tão caro que poucos podiam comprar. Comiam pêra e maçã.

As pessoas bebiam muito, comiam com as mãos de forma rude, as eram tratadas de forma rude com desprezo e brutalidade. Os homens eram quem dominavam tudo.

Os servos trabalhavam cedo ao nascer do dia até o pôr- do – sol. Eles viviam em extrema pobreza em uma cabana miserável com um buraco no teto para a saída da fumaça, o chão era batido, comiam mal.  Por causa disso eram sujeitos a várias pandemias. Eles não liam nem escreviam, eram chamados de velhacos, estúpidos e feios.

ECONOMIA

O comércio havia se tornado uma atividade de muito pouca importância. A terra tornou-se o principal fator de riqueza daquela sociedade. Eles cultivavam a terra e tudo p que produziam era para consumo próprio. Também caçavam e criavam animais.

As terras dos feudos dividiam-se em :

» campos abertos também chamados de terras comunais ou manso comunal – eram terras de uso comum. Compreendiam em bosques e pastagens. Nessas terras os servos recolhiam madeiras e soltavam animais para pastar.

» Reserva senhorial também chamada de domínio  ou manso senhorial- eram terras que pertenciam exclusivamente ao senhor feudal e era onde se localizavam o moinho, os fornos, o estábulo e a capela.

» Manso servil ou tenência- eram terras utilizadas pelos servos. Destas terras eles retiravam seu sustento e os recursos para cumprir as obrigações servis.

Apesar de ainda existir a escravidão , a servidão marcou o feudalismo. É uma relação de trabalho onde o servo era ‘’homem livre’’. Mas era preso à terra na qual trabalhava. Ele tinha que produzir o sustento da sua família e para a nobreza feudal.

O servo era obrigado a trabalhar gratuitamente alguns dias da semana nas terras do senhor feudal, podia ser na agricultura, ou criação de animais. Isto era a Corvéia.

Além de tudo não se podia mudar de ‘’cargo’’. Os que nasciam servos morriam servos. Isto também acontecia nas famílias dos nobres. Era praticamente impossível mudar de condição social.

A época medieval é um período muito extenso da vida da humanidade (cerca de 1.000 anos)
Estruturas de tempo longo:
ESTRUTURA ECONÓMICA – era centrada, essencialmente na agricultura com um progresso comercial.
ESTRUTURA DEMOGRÁFICA – uma elevada taxa de mortalidade, apesar duma elevada natalidade sem aumento de população.
ESTRUTURA SOCIAL – era assente em estratos ou ordens, Clero, Nobreza e Povo.
ESTRUTURA POLÍTICA – cristalizou-se em Reinos, senhorios e comunas.

CULTURA POPULAR

As romarias e as peregrinações constituem expressões típicas da religiosidade medieval.
ROMARIAS – eram celebrações em honra a um santo, numa época fixa do ano. Implicavam deslocações de curta duração (um ou vários dias).
PEREGRINAÇÕES – eram percursos de longa distância a locais sagrados do cristianismo, em especial Jerusalém, Roma e Santiago de Compostela.
As romarias e peregrinações tinham objetivos religiosos de purificar a alma ou cumprir promessas.
A componente não-religiosa expressava-se, nomeadamente, em festas, com cantos e bailados tradicionais.

CULTURA CORTESÃ: EDUCAÇÃO DO NOBRE

IDEAL DA CAVALARIA
Enquanto nas cidades proliferavam as escolas catedrais e as universidades, enquanto nos conventos nasciam as livrarias (bibliotecas), nas cortes do rei e dos grandes senhores a cultura erudita (acessível apenas aos estratos dominantes da sociedade) desenvolveu-se sob o espírito cavalheiresco, segundo o qual o cavaleiro, sempre de estirpe nobre, almejava tornar-se perfeito. O cavaleiro ideal devia ter as seguintes qualidades:
-a honra;
-a coragem;
-a lealdade;
-a virtude;
-a piedade;
-o ideal de cuzada.
A EDUCAÇÃO DO JOVEM CAVALEIRO
A formação de um cavaleiro era intensa e longa, estendendo-se por cerca de catorze anos.
Antes de se tornar cavaleiro, era fundamental que o jovem estivesse submetido a um outro cavaleiro, de quem era ajudante. Este processo iniciava-se com a saída de casa materna e alojamento no paço de um grande senhor nobre. Aí, o rapaz passava por várias etapas, servindo, sucessivamente, como pagem, durante sete anos, e escudeiro, durante sete anos. O seu treino incluía a aprendizagem da equitação, a prática de desporto e o domínio de armas: estas três aptidões eram postas à prova na caça (perseguindo animais a cavalo), nos torneios (combates simulados entre dois grupos de cavaleiros, em ambiente de festa) e nas justas (combate entre dois homens armados de lanças).
Finalmente, numa cerimónia complexa de contornos religiosos, o escudeiro era armado, cavaleiro de uma Ordem de Cavalaria, recebendo as esporas e a espada.
CÓDIGO DE CAVALARIA E O AMOR CORTÊS
Tal como existia um ideal de cavalaria, também as relações entre nobres e damas, nas cortes, obedeciam a um ideal de amor, pautado pelo refinamento e pela espiritualidade. Para conquistar a sua amada, o cavaleiro nobre deveria ser virtuoso, paciente, elegante no vestir, bem-humorado, respeitoso perante as mulheres, enquanto a dama, bela e pudica, deveria alimentar o seu amor com gestos comedidos.
LITERATURA
IDEAL DE CAVALARIA: Romances
IDEAL DE AMOR CORTÊS: Poesia trovadoresca
GENEALOGIAS: Relações de parentesco

A IGREJA MEDIEVAL: HISTÓRIA, TÍTULOS E INSÍGNIAS DO BISPO DE ROMA

PATRIARCA DO OCIDENTE – visto que exerce a soberania sobre a Igreja latina.
SUA SANTIDADE – título reservado aos patriarcas a partir do século VII. No Ocidente, só o Papa o usa.
SOBERANO PONTÍFICE – título usado pelos imperadores romanos como chefes do colégio dos sacerdotes da religião pagã. Este título foi atribuído ao Papa no século VI.
SANTÍSSIMO PADRE - fórmula habitualmente utilizada para alguém se dirigir ao Papa.
VIGÁRIO DE CRISTO – assim se denominavam noutro tempo todos os bispos. Este título é reservado ao Papa desde o século XIII.
AS INSÍGNIAS
A SOTAINA branca.
A TIARA – espécie de cobertura da cabeça, alta e cónica, rodeada de três coroas, que foi usada desde o século XIII até ao século XX. Paulo VI substituiu-a pela MITRA, habitual nos bispos.
O ANEL DO PESCADOR – sinete que tem a imagem de S.Pedro pescador e o nome do Papa. O uso deste anel é atestado desde, pelo menos, 1265.
Desde o século XV que serve para autenticar os actos oficiais e é quebrado quando o Papa morre

A Igreja medieval


Como foi a organização??

Quando iniciaram os conflitos??!

Agora entraremos numa parte bem delicada da história medieval: o papel da igreja!

A igreja teve forte influência nos povos bárbaros. Devido a confusão  causada pelas invasões bárbaras  e com a desestruturação no Império Romano, a igreja teve forças para manter e conservar sua identidade institucional. A igreja preservou elementos da cultura greco-romana, mas com um ponto de vista cristão e espalhando tudo isso entre os povos bárbaros.

Mas o papel da igreja não ficou só no campo religioso. Ela atuou em diversos setores da vida medieval. Servindo como peça de união social , diante da divisão política do feudalismo.

As raízes do cristianismo, como a palavra sugere, vem de Cristo, daí o nome cristianismo. Oficialmente suas raízes são na antiga Palestina, da época do alto império Romano.

ORGANIZAÇÃO DO CLERO

os sacerdotes da igreja tinham suas categorias:

Clero Secular  eram os sacerdotes que viviam fora dos mosteiros, divididos em padres, bispos e outros.

Clero Regular  já  refere-se aos sacerdotes que viviam nos mosteiros e obedeciam as regras de sua ordem religiosa.

No topo da ordem eclesiástica estava o Papa, ou seja, o bispo de Roma. O 1º Papa da cristandade foi Leão I.

Desde 756, o Papa era o administrador político do Patrimônio de São Pedro, ou , o estado da igreja,tinha o poder de acumular riquezas através de doações feitas pelos fiéis principalmente quando estas doações eram propriedades.

Provavelmente a igreja tinha controlado um terço das terras férteis da Europa Ocidental. Isto mostra o forte poder econômico da igreja para a época.

O poder da igreja levou o Papa a envolver-se em diversos conflitos políticos com monarquias medievais.

Como exemplo: a Questão das Investiduras, que ocorreu no século X, quando o imperador Oto I , do Sacro Império Romano Germânico, começou a querer controlar os assuntos da igreja.

Ele fundou bispados e abadias. Em troca da proteção que dava à igreja, controlava as ações do Papa.

As nomeações da parte do imperador eram por interesse pessoais e do governo. Isto abriu as portas para a corrupção entre os membros do clero.

No século XI houve um movimento reformista : Ordem Religiosa de Cluny, com o objetivo de recuperar o poder da igreja. As  medidas por ele adotadas foram:

Instituição do celibato e a proibição da investidura religiosa pelo imperador.

Claro que isso não agradou a todos, um rei que não gostou disso foi Henrique IV,imperador do Sacro Império. O resultado não foi agradável. Um foi excomungado e o outro foi deposto e mais atrito entre imperador e Papa. O problema só foi resolvido em 1122 pela Concordata de Worms: onde o Papa teria o poder da investidura espiritual dos bispos e o imperador a investidura temporal.

SANTA INQUISIÇÃO


Nos países denominados cristãos nem sempre as pessoas tinham um fé de acordo com as doutrinas da igreja. Essas crenças que eram diferentes da  doutrina padrão da igreja eram chamadas de heresias.

Um exemplo foram os  albigenses.

No século 12 no sul da França, os albigenses ou Cátaros, nome este originário da cidade de Albi, local com a maior concentração de seguidores. Tinham a sua própria classe clerical celibatária. Criam que Jesus falou em sentido figurado na sua última ceia , ao dizer:” isto é o meu corpo” ( Mateus capítulo 26, versículo 26), rejeitavam as doutrinas da trindade, do inferno de fogo e o purgatório. Lançaram dúvidas sobre os ensinos da igreja de Roma. O Papa Inocêncio III ordenou a perseguição deles.

A cruzada foi organizada contra os hereges e 20.000  homens, mulheres e crianças foram massacrados, em Bíziers, França. Em 1229, com a derrota dos albigenses, houve a paz.

A inquisição foi um tribunal instituído para suprimir a heresia. Na época ,as pessoas eram dominadas por um espírito de intolerância e elas eram superticiosas e com muita disposição de assassinar os ‘hereges’. A inquisição iniciou uma era de perseguição religiosa que resultou um abusos, denúncias falsa e anônimas, assassinatos, roubo, tortura e morte lenta de milhares de pessoas , que pelo menos pensavam crer diferente das doutrinas da igreja.

Mas esses tribunais da Inquisição não tinham só papel religioso, mas sim uma grande influência política e atuou em vários países europeus, entre eles foram: Itália, França,Alemanha,Portugal e Espanha. Neste último a influência foi forte, tanto no lado espiritual como na vida social.

Como a igreja devia favores ao estado, o seu papel era de também manter a ordem, por combater os movimentos revolucionários contra a classe social dominante, tornando-se uma arma de repressão sócio-política.

AS CRUZADAS


O Papa Urbano II, no século XI, fez um apelo aos fiéis para mover uma  Guerra Santa contra os mulçumanos. Embora esse não tenha sido o único motivo. As razões que impulsionaram o movimento cruzadista foram:

» o aumento demográfico na Europa feudal, a falta de terras para plantações.
» o interesse econômico e comercial  e conquista de novas terras.
» além da crença de que a peregrinação à lugares santos oferecia a possibilidade de salvação da alma do fiel.
» interesse militar em combater os inimigos do Cristianismo( mulçumanos, judeus e cristãos considerados hereges).

A origem das cruzadas tem a ver com as peregrinações a lugares sagrados. Tais como Jerusalém, onde fica o Santo Sepulcro, lugar onde Jesus foi colocado após ter sido morto.

A princípio a peregrinação era apenas religiosa, mas depois a religião começou a se misturar com o comércio e expansionismo geográfico e ação militar.

As cruzadas foram do século XI até o século XIII, ao todo foram 10 cruzadas, sendo 8 de nobres, 1 de plebeus e 1 de crianças.

Já no final do século XII, o interesse pelas cruzadas havia caído bastante. Alguns motivos foram: os resultados religiosos foram poucos; o fortalecimento do comércio entre Ocidente e Oriente, que era o principal, já havia sido alcançado.

Essas cruzadas causaram muito sofrimento , massacres e invasões com destruição de aldeias e cidades. Assim como os ocidentais achavam os mulçumanos  um povo bárbaro, os povos islâmicos, judeus e cristãos ortodoxos viam as cruzadas como invasões bárbaras, que causavam destruição e sofrimento em suas terras.

As conseqüências foram:

» empobrecimento dos investidores de guerra, os senhores feudais que as custeavam.

» Fortalecimento do poder real e enfraquecimento do poder do senhor feudal.

» Reabertura do mar Mediterrâneo e desenvolvimento do intercâmbio entre Europa e Oriente.

» Ampliação do universo cultural da Europa , entre os povos orientais.

Realmente guerras nunca levaram a alegria  de ninguém..

Cruzadas: Guerras religiosas estimularam o capitalismo

A produção para o mercado, as trocas monetárias e o espírito de lucro ressurgiram na Baixa Idade Média (séculos 12 a 15). Isso não chega a marcar o nascimento do capitalismo, pois não havia o trabalho assalariado. Pode-se, porém, falar no advento de um pré-capitalismo.
A situação é uma decorrência da crise do feudalismo, com o aumento da população europeia e a consequente ampliação do consumo de roupas e alimentos, além das necessidades de moradia. Desse modo, um significativo contingente populacional iria mergulhar na marginalização ou, como se diz hoje em dia, na exclusão social.
Violência e banditismo
Servos eram expulsos dos feudos onde sempre viveram, vilões se viam forçados a deixar as vilas que habitavam. Resultado: mendicância e banditismo. Este último era reforçado até por gente da nobreza, pois os filhos mais novos dos senhores feudais, que não desfrutavam de uma herança substanciosa, podiam aproveitar suas atividades bélicas para atividades criminosas, como o saque e o sequestro.
O aumento da violência, portanto, era também uma realidade, da qual as justas e os torneios entre cavaleiros são um inegável reflexo. Esses combates "esportivos" transformavam-se muitas vezes em verdadeiras batalhas campais.
Desse modo, a Igreja se viu forçada a intervir para solucionar o problema. Por um lado, proclamou a "Trégua de Deus", que limitava o número de combates a 90 por ano. Simultaneamente, resolveu canalizar essa energia bélica para um fim religioso: a conquista dos locais sagrados do cristianismo no Oriente.
Servos de Deus
Estava-se numa época em que o poder papal se encontrava fortalecido, e é importante lembrar que, em termos de mentalidade, o homem da Idade Média é profundamente religioso, é um servo de Deus. Portanto, combater os muçulmanos, ainda que lhe rendesse as riquezas do Oriente, era também uma garantia da salvação de sua alma.
Ao longo de mais de 200 anos, entre os séculos 11 e 13, foram realizadas oito Cruzadas. A mais longa durou seis anos e a mais curta, apenas um, acompanhe no quadro abaixo:
Primeira Cruzada (1095-1099)
O papa convocou os fiéis para a guerra santa contra o Islão no Concílio de Clermont. Partindo em 1096, os cavaleiros sitiaram Niceia, tomaram Dorileia, Antioquia e Jerusalém. O Oriente Médio passou a abrigar Estados cristãos, organizados à maneira feudal, como o Principado de Antioquia, o condado de Edessa e o reino de Jerusalém.
Segunda Cruzada (1147-1149)
Com a reconquista de Edessa pelos árabes, essa Cruzada foi pregada pelo próprio São Bernardo. No entanto, fracassou por desavença entre seus chefes: Conrado 3º da Alemanha e Luís 7º da França.
Terceira Cruzada ou Cruzada dos Reis (1189-1192)
Foi organizada após a retomada de Jerusalém pelo sultão Saladino, sob a liderança de Ricardo Coração de Leão, da Inglaterra, Frederico Barba-Ruiva, do Sacro Império, e Filipe Augusto, da França. Após diversos combates, Ricardo assinou um tratado de paz com Saladino, que autorizou os cristãos a peregrinar a Jerusalém.
Quarta Cruzada (1202-1204)
Cruzada marítima contra o Egito, organizada por Henrique 6º da Alemanha, foi financiada pelos venezianos com interesses comerciais. Foi uma cruzada sangrenta, a ponto de os venezianos serem excomungados pelo papa Inocêncio 3º. Mesmo assim, eles saquearam Constantinopla e voltaram à Itália satisfeitos.
Quinta Cruzada (1217-1221)
Formada após a Cruzada das Crianças, que terminou com seus integrantes vendidos como escravos em Alexandria, a quinta Cruzada fez várias ofensivas contra o Egito e retornou a Europa sem sucesso.
Sexta Cruzada (1228-1229)
Frederico 2º, do Sacro Império Romano-Germânico, aproveitou-se das desavenças entre os sultões do Egito e Damasco, para conseguir que os turcos lhe entregassem Jerusalém, Belém e Nazaré.
Sétima Cruzada (1248-1250)
Sob o comando de Luís 9º da França (São Luís), esta cruzada foi um grande fracasso: isolada pelas enchentes do Nilo, teve seus homens dizimados pelo tifo. Luís foi preso e resgatado mediante um valor altíssimo.
Oitava Cruzada (1270)
O Oriente Médio vivia uma época de anarquia entre as ordens religiosas que deveriam defendê-lo, bem como entre comerciantes genoveses e venezianos. Os cristãos foram expulsos de suas posições e Luís 9º organizou uma nova Cruzada. Morreu, porém, ao desembarcar em Túnis e a cruzada foi suspensa.
As Cruzadas tiveram consequências de grande importância para a história mundial. Reabriram a navegação do Mediterrâneo aos europeus e dinamizaram as relações comerciais entre o Ocidente e o Oriente. As cidades da Itália passaram a distribuir mercadorias orientais para a Europa: açúcar, arroz, algodão, café, marfim, frutas cítricas e especiarias. Propiciaram a economia baseada na moeda e no mercado e favoreceram o crescimento das cidades.